A imprevisibilidade e as grandes e constantes transformações da sociedade dão corpo à obra “A Era do Imprevisto” (Cia. Das Letras, 446 páginas), do escritor, sociólogo e cientista político Sérgio Abranches. [TEXTO]Ressaltando que mudanças são benéficas para a construção de uma sociedade em bases diferentes, o autor se debruça sobre o momento que antecede essa nova estrutura[TEXTO] – o período de transição.
 
“Se somarmos todas as mudanças que estamos vivendo, elas não resultarão em uma nova sociedade, mas sim em uma sociedade em transição”, aponta o autor, que vê nas escolhas o grande desafio para o futuro.
 
“As escolhas que fazemos vão dando forma para o que vai acontecer, serão a matéria-prima do novo mundo. Temos uma obrigação moral com ele”, ressalta Abranches, que usa como exemplo a situação atual brasileira. “O Brasil está construindo um futuro com menos corrupção porque escolheu combatê-la. Estão sendo criadas condições para ter uma sociedade diferente da que temos agora”.
 
Sentimento de transição
Dialogando com diversos pensadores, o autor ressalta a busca por autores que trataram de momentos de transformação. “Busquei autores que falaram, de alguma forma, de transições para conseguir entender esse sentimento de uma classe que está morrendo e de outra que está nascendo”, explica Abranches, que também teve na literatura ficcional uma grande aliada nessa empreitada.
 
Para o autor, a ficção, principalmente a científica, ensina mais sobre como olhar e compreender o que o futuro pode reservar do que os livros de não ficção, justamente por irem além das previsões que são aparentemente plausíveis.
 
Os formalismos acadêmicos também são rejeitados por Abranches. “Desde quando era professor tinha dificuldade de lidar com o excesso de formalismo da academia. Ele paralisa a criatividade e a descoberta de coisas novas pelas ciências sociais”. 
 
Serviço: Sempre um Papo com Sérgio Abranches, amanhã, às 19h30 no Auditório da Cemig ( av. Barbacena, 1.200, Santo Agostinho). Entrada gratuita.