Um famoso publicitário é assassinado no Teatro Municipal de São Paulo depois de ser premiado por uma campanha contra o preconceito. Ao lado de seu corpo, uma abotoadura com uma suástica é encontrada por sua colega de emissora, a renomada jornalista Sandra Garcia. Decidida a desvendar o crime – que é logo acompanhado de uma série de outros assassinatos – ela se une ao irmão da vítima, a um jovem hacker e a seu novo colega de trabalho.

Essa é a trama de “O Lado Escuro da Madrugada” (Ed. Pandorga), romance de estreia do escritor Roberto Giacundino. Apesar da inegável narrativa policial, que vem recheada de suspense e reviravoltas, o autor aposta na discussão de outros temas, que vão desde o preconceito ao misterioso e assustador mundo da Deep Web ( parte “invisível da internet, onde os conteúdos não são indexados por mecanismos de busca). “Acho que a literatura não é uma porta apenas para o entretenimento, mas também para a reflexão. Você pode abordar temas relevantes, falar das mazelas de uma grande metrópole, por exemplo”, pontua o autor.

Ele destaca a pertinência dos temas, principalmente se relacionadas ao contexto atual, marcado não só por um mundo cada vez mais virtual, mas também pelo crescimento de manifestações de ódio. “O livro fala sobre preconceito, sobre o uso de drogas, o neonazismo. São temas atuais. Em um momento em que a cultura virtual é tão disseminada, falar de Deep Web também é importante. Essa questão, que não é conhecida por todos, acaba também sendo um pouco destrinchada”, sublinha.

Protagonismo Feminino

Giacundino conta que a decisão de trazer uma mulher como protagonista foi algo natural. “Desde que a história nasceu, eu tinha essa personagem como principal. Foi uma coisa despretensiosa, mas fico contente porque muitas pessoas elogiaram e se identificaram com a personagem”, afirma. “Acho que a força da mulher precisa ser exaltada”. Outro ponto forte da narrativa, destacado por Giacundino, é a violência doméstica, trazida à tona pelo passado da protagonista. “Para escrever sobre esse tema, conversei com muitas pessoas, além de ter tido um contato muito próximo com esse tipo de cenário. Aliás, quem nunca viveu uma situação gerada pela violência doméstica? Ela está sempre muito perto, às vezes a uma parede de distância”, afirma.

Ele ressalta também a proximidade causada pelo pano de fundo da história: a cidade de São Paulo. “É quase como um guia turístico da cidade. Sempre foi uma vontade minha falar sobre ruas, restaurantes, praças e lugares que as pessoas pudessem ir, reconhecer e visualizar os ambientes em que os personagens estiveram”, conta.