Há tempos a artista plástica Niura Bellavinha vinha conversando com o curador Paulo Herkenhoff sobre a possibilidade da realização de um livro que fizesse uma retrospectiva de seu trabalho. Mas há dois anos a conversa se intensificou e os dois mergulharam na concretização de “Niura Bellavinha”, livro que a editora Cobogó lança hoje, em Belo Horizonte. 

A obra é caprichadíssima, em versão bilíngue, toda ilustrada com imagens que mostram como a artista consegue trafegar por várias linguagens (como fotografia e cinema), mesmo tendo a pintura como seu principal universo de trabalho artístico. 

“Queríamos que o livro representasse o que é a obra, sem criar ficção em torno do que é objetivamente o trabalho. Era importante que mostrasse as fases da pintura, as ferramentas com que trabalho. Também era importante mostrar como sempre começo pelo desenho, mas como sempre tenho um olhar para a pintura”, afirma Niura Bellavinha, que é belo-horizontina e mora no Rio de Janeiro. 

Linguagem

Niura ganhou destaque internacional no universo das artes por desenvolver uma pintura diferenciada. Focando especialmente o vermelho e o azul em pigmentos puros, ela dá largas pinceladas sobre as telas, para depois transformá-las por meio de jatos de água e ar comprimido de alta pressão.
Mas não é apenas a técnica que a transformou em uma artista reconhecida, mas o seu olhar peculiar para as formas, cores e sentidos do cotidiano. “A arte e a vida para mim são absolutamente a mesma coisa. É a obra quem me procura. Por exemplo, ‘NháNhá’, o média-metragem que fiz em 2014, aconteceu por causa de uma viagem de descanso com minha família. No meio do caminho, fui surpreendida com a imagem de uma montanha, uma imagem especial. Aquilo me surpreendeu. São as coisas que se mostram para mim”, explica, relembrando como a cidade de Ferros, próxima a Itabira, inspirou o trabalho. 

Esta é uma das obras em que se pode perceber a influência de Minas Gerais sobre o trabalho de Niura. Ex-aluna de Amilcar de Castro, ela teve como referências o concretismo, o barroco das cidades históricas, as cores das cidades do interior. 

“Desde pequena fui levada a conhecer as obras de Aleijadinho e (Manoel da Costa) Athaide. Também vivi esse universo das mineradoras, das usinas de metalurgia. Mas Lisboa, Genebra, Nova York e Belém podem também ser referências. A linguagem é uma questão de escolha e a minha é juntar as coisas que me são dadas pela vida”.

Preparação

Niura está desenvolvendo no momento uma exposição que irá percorrer, no ano que vem, por várias cidades, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Genebra e Lisboa. Ela também está preparando dois filmes, um curta e um longa-metragem (que será feito por uma equipe de 40 pessoas). 

Serviço: Lançamento do livro “Niura Bellavinha” (Editora Cobogó, 280 páginas, R$ 132) na Quixote (rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi), hoje, das 11h às 15h.