Quais formas de ocupação poderiam abrigar um grande edifício no coração de Belo Horizonte? A pergunta foi feita durante três ações performáticas a transeuntes que passavam pela Praça Sete, onde está localizado o referido edifício: o Cine Theatro Brasil, inaugurado em 1932 como o principal cinema de rua da cidade.

O resultado foram dezenas de respostas especulativas, que compõem o livro “99 ideias para um cinema de rua”. Realizada pelo Coletivo Micrópolis – que trabalha na fronteira entre arquitetura, urbanismo, pedagogia, design e ação cultural – a obra será lançada amanhã, durante uma conversa aberta no Cine Theatro Brasil.

Um dos integrantes do coletivo, Vítor Lagoeiro conta que o processo começou quando o Micrópolis foi convidado para participar da exposição “Habitáculo”, cuja proposta dos curadores Fabíola Moulin e Marconi Drummond era apresentar trabalhos que articulavam o cinema à memória e à arte de BH. “Começamos uma pesquisa histórica sobre este espaço icônico e descobrimos que ele já tinha sido muitas coisas antes: abrigou o primeiro restaurante popular de BH, já foi hotel, barbearia”, conta.

Assim, diante da realidade atual, em que cinemas de rua já não movimentam multidões, o coletivo transportou a pesquisa para o futuro. “Para além do que o edifício já foi, o que ele poderia vir a ser? Elaboramos três ações na Praça Sete, para pesquisar essas possibilidades”, diz Lagoeiro. “Todas estabeleciam relações de troca, baseadas em atividades que já acontecem por ali, um espaço que tem uma dinâmica própria”.

Foram feitos, então, um café grátis na rua, uma reportagem de uma emissora de TV fictícia e uma rifa de obras de arte articulada com um artista de rua. No final da contas, chegaram a noventa e nove ideias que viraram desenhos arquitetônicos ilustrando como seriam estas ocupações. “Para cada ideia, escrevemos um pequeno texto como forma de fazer comentários e compartilhar reflexões, sem apontar se eram ideias boas ou ruins”, afirma Lagoeiro. “Durante a exposição, executamos três dessas ideias. No foyer do Cine Theatro Brasil, fizemos um restaurante popular no foyer, um karaokê e um clube de dança”, completa.

Ele pontua que as ideias apresentadas no livro não têm pretensão de viabilidade. “É uma pesquisa de como as pessoas percebem o centro da cidade e de quais tipos de ocupação imaginam para aquele edifício”, afirma. “O livro registra isso de uma forma não tão dura, tecnicista ou acadêmica. No final das contas, o que ele traz são dinâmicas de transformação dos espaços pelos quais circulamos”, finaliza.

Serviço: Lançamento de “99 ideias para um cinema de rua”. Amanhã, às 21h, no Cine Theatro Brasil ( Av Amazonas, 315 – Centro). Entrada franca. Livro: R$ 40