Orlando é um homem que, certo dia, acorda como mulher. O novo corpo o conduz a uma série de conflitos e reflexões que perpassam a solidão, a morte, o amor e a diversidade de gênero. Esse é o ponto de partida do enredo de “Orlando: Uma Biografia”, obra escrita por Virginia Woolf em 1928 e que permanece visceralmente atual. 

A atemporalidade e o instigante espectro temático do texto da britânica captaram a atenção de Ludmilla Ramalho. Desde seu primeiro contato com a obra, há quatro anos, a atriz, diretora e performer mineira se debruçou sobre o universo de Orlando, traçando paralelos com suas experiências pessoais em um amplo processo de pesquisa. O resultado está em “Orlando – Um Prólogo”, espetáculo solo que estreia nesta sexta-feira (13) e vai até dia 22 de abril, no Sesc Palladium.

A atriz destaca a atualidade das discussões levantadas pelo texto original. “A personagem passa a ter conflitos que eu, como mulher, enfrento diariamente. A autora questiona as ‘caixinhas’, as relações e a sexualidade. Para ela, não interessava ser homem ou mulher: interessava o humano”, reflete. “São questões urgentes, que mostram como Woolf estava à frente de seu tempo”. 

A peça é fruto da parceria com Diego Bagagal, que assina a direção e a dramaturgia. “Ele é um artista que discute a questão de gênero de uma forma muito particular. Quando nos encontramos, vi que era a pessoa certa para essa parceria”, conta a atriz. “Fomos convidados para uma residência artística no FITA (Festival Internacional de Teatro do Alentejo), em Portugal, e passamos três meses construindo o espetáculo. Um processo que aconteceu durante o inverno europeu, o que impregnou a linguagem com introspecção e profundidade”, diz. 

Dramaturgia

Ramalho destaca que a dramaturgia, baseada no prefácio do livro de Woolf, foi escrita seguindo o fluxo de consciência da britânica. “Construímos a partir de textos meus, de Bagagal e da obra de Virginia Woolf. Ora é uma biografia da autora, ora da atriz, ora do diretor. Tentamos fazer do fluxo de consciência uma linguagem para a dramaturgia”, explica. “O prefácio do livro é uma lista de agradecimentos ácida, irônica e também afetuosa. A partir dessa lista, a história vai sendo atravessada por temas como amor e a solidão”, completa, lembrando que a obra é uma carta de amor para Vita Sackville-West, por quem Woolf foi apaixonada.

Serviço: “Orlando – Um Prólogo”. De sexta-feira (13) a 22 de abril. Sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium (Av. Augusto de Lima, 420 – Centro). Ingressos: R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada).