Luminosidade. Para o diretor artístico da dotART Galeria Wilson Lazário, esse é o fio condutor entre os trabalhos dos artistas plásticos Luiz d’Orey, Joana Cesar e Gilson Rodrigues, que ficam expostos na galeria de hoje a 9 de junho.

Não por acaso, a ligação entre as produções se reflete no título da mostra, que recebe o nome de “Tudo Se Ilumina” e é construída a partir de exposições individuais de cada um dos artistas. “A mostra é uma amarração da curadoria. Os três trabalhos têm essa questão da luminosidade e também de uma velocidade”, diz Lázaro.

Para além das similaridades visuais e sensoriais, o diretor pontua que as obras também estão ligadas por aquilo que ele chama de “memória do futuro”. “O Luiz busca essas memórias digitais no Instagram, o Gilson desloca objetos do cotidiano e a Joana faz uma poesia visual. Os trabalhos são muito ligados a uma estética poética. Quando você olha para as obras, elas estão sempre em movimento. É uma pintura gestual”, sublinha. “Não interessa o histórico do objeto e sim o que ele vai ser no futuro. A partir desse trabalho que os três realizam, vai se construindo uma memória para frente”, acrescenta. 

Lázaro conta que escolha dos artistas Luiz d’Orey, Joana Cesar e Gilson Rodri[/TEXTO]gues, que abrem o calendário do ano na galeria, não é por acaso. “Sempre convido artistas que são apostas. Eles são novos na idade, mas já têm uma trajetória, foram indicados à prêmios e já estão em coleções particulares e de instituições”, destaca. “O interessante é que quem vier visitar essas exposições vai poder ver a qualidade dessa produção. São artistas que são uma surpresa, com obras que emocionam e que fazem você retornar a sonhar. Elas vão despertar o olhar para o belo”, afirma o diretor.

Memórias digitais

Ocupando a galeria 2 do espaço, o artista carioca Luiz d’Orey mergulha na quantidade de informação divulgada nas redes sociais para produzir as obras que constituem a mostra “Espaço Comum”. “Tive a ideia de trabalhar com fotos do Instagram postadas com a hashtag sunset e com textos no Facebook. Quis trabalhar com essa ideia da quantidade informação que estamos expostos diariamente e como isso é repetitivo”, explica d’Orey.

Ele conta que suas obras foram construídas a partir da apropriação desses registros coletados. “Embaralhei as fotos de uma maneira que elas parecem repetidas em série. Já nos textos, busquei comentários políticos que me chamavam atenção. Existiam milhares, principalmente em páginas de grandes veículos de comunicação e de políticos importantes, onde todo mundo comentava, mas não existia diálogo entre ninguém. Não havia um debate construtivo, era sempre uma coisa raivosa”, conta o artista. “Quis traduzir isso, transformar em algo que tenha algum tipo de poesia. Pegar o comum e ordinário e transformar em uma coisa que não seja tão óbvia, que você precise olhar mais para entender”, acrescenta. 

Serviço: Exposição “Tudo de Ilumina”: “Não uma, mas duas pessoas”, de Joana Cesar; “Trauma”, de Gilson Rodrigues e “Espaço Comum”, de Luiz d’Orey na dotART Galeria (Rua Bernardo Guimarães, 911 – Funcionários), de hoje a 9 de junho. Entrada gratuita. [/PE_BIOG]