“Uma boa viagem para todos”, desejou o cantor e compositor Luiz Gabriel Lopes (ou LG Lopes, como também assina) antes de dar o play em “Mana”, seu terceiro disco solo. A partir dali, as luzes de um dos estúdios da Imago Filmes se apagaram e as cerca de 25 pessoas presentes ouviram atentas e emocionadas as dez faixas do novo álbum – cujo lançamento está previsto para o dia 9 de agosto. De olhos fechados, os ouvintes percorreram as narrativas e sonoridades dispostas com esmero no sucessor de “O Fazedor de Rios” (2015), segundo trabalho do músico que também integra as bandas Graveola e o Lixo Polifônico e Tião Duá.

“Eu já tinha feito uma audição no Rio de Janeiro e vou fazer outra em São Paulo. Isso faz parte da campanha de crowdfunding, em que uma das contrapartidas era fazer uma audição em cada uma dessa cidades”, conta Lopes. “Achei muito bonito. É uma experiência mágica juntar as pessoas para ouvir música nesses tempos tão rápidos”, completa. Mas o que o próprio artista achou ao ouvir o novo rebento? “Escutei tanto o disco nesse processo de finalização que foi preciso um fazer um exercício de tentar entendê-lo com ouvidos ‘virgens’, como se fosse outra pessoa, alheia àquele trabalho”, explica. 

Gravado no estúdio Minduca, em São Paulo, “Mana” foi produzido por Lenis Rino e Lopes, que canta, toca violão e guitarra. Completam a cozinha Téo Nicácio (baixo e vozes), Matheus Bahiense (bateria e percussão) e Daniel Pantoja (flauta). Das dez faixas, sete são assinadas por Lopes, sendo quatro em parceria com Téo Nicácio e uma com Paulo César Anjinho. O disco ainda traz duas releituras – “Matança”, do compositor baiano Augusto Jatobá, e “Caboclinho”, parceria dos mineiros Thiago Braz e Gustavito.

“Na minha visão, o álbum se divide em dois lados, um mais solar e outro mais noturno”, afirma LG, lembrando que a música que divide as duas partes, “Quiléia”, tem participação de Ceumar. A outra participação é a do paulista Maurício Pereira, que divide os vocais com Luiz Gabriel em “Apologia”.“Em termos de sonoridade, o disco mostra a busca por um som mais enxuto, depois do ‘Fazedor de Rios’, que é muito arranjado. Queria um álbum com menos elementos e mais destaque para letra, melodia e voz”, explica. “Representa uma vibração que eu acredito e fico feliz em ser veículo. A coisa de ter esperança, de ser otimista neste momento que vivemos, de ver que a gente pode vencer obstáculos com a força da intenção”, finaliza.