O intenso debate político que acontece no país na atualidade serviu como inspiração para a 19º Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte acontecerá no domingo (17), com concentração a partir das 11h, na Praça da Estação. O tema deste ano é “Democracia é respeitar a identidade de gênero: não nos apaguem com política” e a expectativa é receber 50 mil pessoas.

Thiago Costa, um dos organizadores da Parada, explica que a escolha do tema foi pautada nas mudanças de diretrizes para a promoção dos direitos LGBT depois que Michel Temer assumiu como presidente da República interinamente. Tanto que a vaga de coordenador-geral de promoção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, na Secretaria de Direitos Humanos, ficou vaga após a saída de Dilma Rousseff e não foi preenchida até o momento. 

“Entendemos que estamos vivendo um momento de retrocesso e conservadorismo. A política não pode ser usada para nos invisibilizar e nos apagar”, afirma Thiago. 

Segundo os organizadores do evento, a luta não é partidária e há um consenso entre os militantes LGBT de que a luta por reconhecimento e direitos independente de governos. “O movimento dos direitos humanos é suprapartidário. Nossa luta é pelo direito à vida, queremos uma democratização para todos LGBT”, diz Douglas Miranda, gestor da área LGBT da Secretaria de Estado de Direitos Humanos.

Além disso, a organização se preocupou, este ano, em dar maior visibilidade para travestis e transexuais, que são as pessoas mais vulneráveis dentro do grupo LGBT. 

Novo percurso

Para que a Parada não se estenda noite adentro e consiga ter o percurso realizado à luz do dia, o percurso foi alterado. Em vez de passar pela avenida Afonso Pena (que fica fechada até as 16h por causa da Feira de Artesanato), a caminhada seguirá pela avenida Amazonas, com encerramento na avenida Olegário Maciel, entre ruas Tupinambás e Carijós – próximo ao Mercado Novo. 

No evento, será feita uma pesquisa realizada pela Faculdade de Direito da UFMG em parceria com a Embaixada do Reino dos Países Baixos (Holanda). A intenção é saber qual é objetivo da Parada para seus frequentadores.   

Patrocínio

Pela primeira vez, duas grandes empresas privadas estão patrocinando o evento – uma gigante de bebidas e uma multinacional de tecnologia. Para o movimento, essa é a prova de que a iniciativa privada está compreendendo a importância de dialogar com o público GLBT. “Esse é um sinal dos tempos. Não adianta as empresas ganharem dinheiro sem pensar no social. E a Parada é um grande evento social e cultural”, diz o organizador Azilton Viana. 

Curiosidade

A Parada este ano ganha duas novas bandeiras de 20 metros – uma com as cores do arco-íris e outra em tons de lilás e azul, fazendo uma referência ao movimento ligado à transexualidade. Elas foram confeccionadas e costuradas por Anyky Lima, uma travesti de 61 anos que é referência na luta LGBT de Belo Horizonte. 

Confira o vídeo que mostra o trabalho de Anyky: