A personagem Fernanda ganhou os palcos pela primeira vez em 2005, quando a atriz Mônica Martelli lançou o espetáculo “Os Homens São de Marte... E É Para Lá Que Eu Vou”. Depois de alcançar um sucesso gigantesco nos teatros – foram mais de 2,5 milhões de espectadores ao longo de 12 anos – a peça, que trata de forma leve as complicadas relações afetivas entre homens e mulheres, ganhou os cinemas e a TV, com um seriado que já chega à terceira temporada. 

Em 2017, a saga da protagonista ganhou mais fôlego com a estréia do monólogo “A Vida Em Marte”, espetáculo que desembarca em Belo Horizonte neste fim de semana, com duas sessões amanhã, a última encerrada com um bate-papo com a atriz, e outra no domingo, no Cine Theatro Brasil Vallourec.

Martelli revela que a continuação da história era um desejo planejado. “Sempre pensei em contar a vida de casada da Fernanda. Falar de todas as angústias, alegrias, encontros e desencontros que passamos em um casamento, e as dificuldades que enfrentamos para mantê-lo saudável depois de anos”, conta. 

Nesta direção, a vida artística e a vida pessoal da atriz se entrelaçaram, e foi inspirada em suas experiências que Martelli conduziu a história da personagem. “Demorei para fazer a peça porque acredito que só é possível falar com propriedade sobre um assunto quando se consegue olhar para ele com distanciamento. Eu precisei me separar para escreve-la e respeitar o luto do fim do casamento”, revela. “Só depois de anos separada pude ter o distanciamento necessário para escrever nossas dores com leveza e muito humor”, sublinha. 

Para a atriz, a força da produção está justamente no caráter autobiográfico que permeia a história da personagem. “O sucesso está na verdade que é encenada no palco, que possibilita a identificação imediata dos homens e das mulheres”, diz ela. 

Feminismo

Se identificando como feminista, Martelli utiliza a comédia para levar ao palco importantes debates acerca da vida conjugal, com temas como traição, perda da libido, machismo e a jornada dupla assumida pelas mulheres, que se dividem entre o trabalho e a educação dos filhos. “Na peça a personagem é feminista porque vai de encontro aos seus desejos. Nada mais livre e libertador do que a gente identificar nossos desejos e ter persistência para ir ao encontro deles. A Fernanda luta pelo casamento, mas não atura tudo em nome de um projeto de ‘família feliz’”, afirma. 

Pessoalmente, ela acredita que ser feminista é “uma postura diária, é como você age na vida”. “Porém, somos frutos de uma sociedade extremamente machista, e temos que diariamente pensar: só por hoje não seremos machistas. É como um exercício, e acho que é isso que procuro levar ao palco por meio da comédia”, conclui.

Serviço: Espetáculo “Minha Vida em Marte”, com Mônica Martelli, sábado, às 18h e às 21h e domingo, às 19h, no Cine Theatro Brasil Vallourec (Avenida Amazonas, 315 – Centro). Ingressos de R$ 30 a R$ 90