Em uma boa fase, onde “as expectativas juvenis passaram e deram lugar a um homem maduro”, o escritor paulista Marcelo Rubens Paiva vem a Belo Horizonte, hoje, lançar suas duas obras mais recentes: “Ainda Estou Aqui” e “Meninos em Fúria: E o Som que Mudou a Música para Sempre”, abrindo a edição 2017 do projeto “Sempre Um Papo”. 

Paiva retoma o tom de seu primeiro livro “Feliz Ano Velho” (1982) e mergulha nas memórias para dar vazão à escrita. Em “Ainda Estou Aqui”, se dedica a falar tanto do pai, o deputado federal Rubens Paiva, cassado e assassinado pela ditadura militar, como da mãe, a advogada Eunice Paiva, defensora de direitos humanos. 

O livro transita o tempo todo entre os porões da ditadura e os labirintos da memória, onde os pais permanecem presos. “Resolvi trazer de volta esse tema para as pessoas conhecerem um pouco mais a história do Brasil”, diz Paiva, que iniciou a escrita em tempos onde parte da população foi às ruas pedir a volta da ditadura. 

A Comissão da Verdade revelou muitos detalhes sobre a morte do pai dele. “Isso foi muito impactante e decisivo para escrever o livro”, comenta. A mãe, Eunice, é figura importante na obra. “Ela teve Alzheimer. Então é uma forma de manter a memória dessa história”.

Movimento Punk
Em “Meninos em Fúria: E o Som que Mudou a Música para Sempre”, escrito em parceria com Clemente Tadeu Nascimento, Paiva resgata o movimento punk e aborda, também, a abertura política brasileira.

O livro destaca o quanto as brigas de gangues foram importantes para a constituição de um movimento cultural que, para Paiva, é difícil acontecer novamente. “Ando muito decepcionado com a música brasileira. Não tem tido coisas relevantes. Tirando o rap e o hip hop, que, assim como o movimento punk, discutem questões sociais”, diz, sem poupar críticas. “O resto é alienado em busca do sucesso. Não tem o que dizer. Muitos clichês e ritmos batidos. Não se arrisca muito”. 

Por meio de relatos pessoais, ele busca atrair também quem não gosta do gênero musical.

 

Rubens Paiva
"Meninos em Fúria” – Publicação resgata o movimento punk e aborda também a abertura política brasileira
“Ainda Estou Aqui” – O livro, premiado com o Jabuti na categoria voto popular, poderá ser adaptado para o teatro

 

Sempre Um Papo
Este mês, o projeto ainda traz o casal Amyr e Marina Klink (dia 13) para o lançamento dos livros “Não Há Tempo a Perder”, um relato autobiográfico sobre a sua trajetória de navegador, e “Antártica – Um Olhar Nômade”, com fotografias de Marina por aquele continente. Outro nome confirmado é o escritor Cristovão Tezza (dia 21), lançando o livro “A Tradutora”. 

Para 2017, o projeto amplia as vozes, com nomes da nova geração como Zack Magiezi, Marcos Piangers e Flaira Ferro. “É uma galera que vem mostrando um trabalho de muita qualidade e tem surpreendido. Vamos mesclar esses nomes com os consagrados como Nélida Piñon, que vem lançar seu novo livro”, registra o idealizador do projeto, Afonso Borges.

 

Serviço: “Sempre um Papo” com Marcelo Rubens Paiva, hoje, às 19h30, no auditório da Cemig (av. Barbacena, 1.200). Gratuito

 

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