Para “descer a lona” do 12º Festival Mundial de Circo, chega em BH o espetáculo “Caravana: Memórias de um Picadeiro”. Os 17 artistas da montagem – entre acrobatas e atores – sobem ao palco do Palácio das Artes neste fim de semana para tentar provar que, mesmo sem o principal elemento circense sobre suas cabeças, a arte que homenageiam é e – assim se espera – sempre será imortal.

A peça foi escrita por Luís Alberto de Abreu (roteirista de minisséries como “Hoje é Dia de Maria” e “A Pedra do Reino”). Tem concepção e argumento de Beto Andreetta (um dos coordenadores do Circo Roda) e direção Chico Pelúcio (Grupo Galpão). O texto em versos traz para o teatro números tradicionalmente realizados no circo. Eles entremeiam o passeio da trupe pelas diferentes regiões e culturas brasileiras.

Aposentadoria

O personagem principal é o velho palhaço Caturrão, que está “pendurando as chuteiras” no picadeiro. Ele faz sua última apresentação, enquanto o circo seguirá em turnê.
No camarim, o artista em fim de carreira recebe a visita de uma pequena fã, que ouve dele as lembranças de todos os lugares pelos quais passou. Porém, o espetáculo faz questão de dar um chega pra lá na melancolia. Afinal, o se o circo existe – e resiste – é em nome da alegria.

“Existe essa lacuna no mundo do circo. Hoje, é muito complicado sobreviver mantendo uma lona. Se você vir algum circo com essa estrutura tem que tirar o chapéu e bater palmas”, reconhece Beto Andreetta.

Antigamente, lembra Andreetta, esses circos viviam de um público muito maior. Além disso, não havia tantas concorrências no universo do entretenimento como se tem atualmente. Andreetta diz que, hoje, as cidades não têm mais espaços para os grupos montarem as estruturas.

Circo-teatro

O grupo que coordena em São Paulo já abriu mão da lona. Hoje, ensaia em um galpão e se apresenta em teatro. O Circo Roda surgiu em 2006 da união dos grupos teatrais Parlapatões e Pia Fraus. Desde o nascimento, o grupo tem o objetivo de renovar o conceito da atividade circense.

No Brasil, o circo segue graças à iniciativas como essa e, claro, à dos artistas das tradicionais famílias circenses, ainda na estrada. Adeptos, talvez, sempre existirão enquanto os aspectos dessa arte continuarem a seduzir.

“O prazer de fazer circo debaixo da lona é que ela aproxima o público do artista. Tem mais calor humano. Eu não sei... É diferente. A lona é danada!”, emociona-se o coordenador.

Para fazer justiça à tradição, o Festival Mundial de Circo não abriu mão de “subir a lona”, que neste vez foi montada no Hospital da Baleia. A programação, que começou dia 10, passou também por Pará de Minas e Itabirito.

“Caravana: Memórias de um Picadeiro”. Hoje, às 20h, e amanhã, às 17h. Grande Teatro Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, Centro - 3236-7400). R$ 20 e R$ 10 (meia).