O Maranhão a partir do olhar amoroso de um filho. Assim pode ser resumida a exposição “Afetos”, do fotógrafo Edgar Rocha, que fica em cartaz no Memorial Minas Gerais Vale, de sábado a 29 de Julho. Embora não seja um filho totalmente legítimo, já que nasceu em São Paulo, o fotógrafo já tem o estado como casa há quase 40 anos. “Vim para o Maranhão para trabalhar, ainda na década de 70 e a partir dali fui ficando, sempre fotografando a cidade”, confessa Rocha.

É justamente essa trajetória de vida e de trabalho que ele transporta para as fotografias que compõem a exposição. Seus afetos são todos maranhenses. Nos registros, o fotógrafo mergulha na história, nas tradições e na cultura do território nordestino, com fotografias que vão da arte sacra das igrejas e tradições culturais como as festas de São João aos “mestres desbravadores do mar”.

A relação com as tradicionais embarcações utilizadas pelos pescadores da região, inclusive, foi transformada em livro. Em 2006, Rocha lançou “Embarcações de Sentimento – Maranhão” (Cia. Vale do Rio Doce). “Escutei muitas histórias quando eu viajava com as pessoas para fotografar. O mar é muito forte aqui. A diferença de maré é de quase 7 metros, então as embarcações ficam estacionadas no seco. São muitas horas assim e as pessoas são faladoras, é muito interessante”, recorda Rocha.

Ele incluiu otografias do período na exposição, destacando as várias histórias por trás dos cliques. “Não é possível entrar em um lugar, fotografar e ir embora. Tem sempre uma conversa, nasce uma amizade. Eu entro nas comunidades, nos quilombos, conheço as pessoas da casa. Existe uma relação mais calma, sem interferir, porque a fotografia é invisível e o importante é a manifestação”, acredita.