Convergência é isso também: uma série que vira filme, que vira peça teatral e que, em todos estes estágios, ganha a etiqueta de sucesso. Um bom representante desta lógica é “Meu Passado Me Condena”, que desembarca hoje em Belo Horizonte em sua última versão, trazendo ao palco a dupla Miá Melo e Fábio Porchat.

“Começou a turnê”, brinca Melo em entrevista, fazendo referência ao fato da peça, depois de ficar mais de um ano em cartaz no Rio de Janeiro, começar a desbravar o país este ano, em um destes casos de sucesso que se amontoam sob a chancela de comédia brasileira nos últimos anos. Só alegria– exceto o fato de que Melo terá de deixar em casa o recém-nascido Antônio.

Mas a despeito de deixar temporariamente o pequeno, a atriz caí na estrada com o maior prazer, colhendo os frutos novos que caíram de uma mesma árvore: o que começou como série televisiva (ainda em 2012), se tornou também um dos maiores sucessos recentes do cinema nacional, com os filmes (de 2013 e a continuação, em 2015) fazendo ótimos números de bilheteria.

Para Miá, dois fatores fundamentais explicam o sucesso da história dos dois recém-casados que resolveram trocar alianças depois de apenas um mês de namoro. “Primeiro é a sintonia com o Fábio. Uma química super legal, nós dois já estamos muito mergulhados na história né? A outra é o tema: relacionamentos. Identificação imediata do público né? Todo mundo conhece um pouco aqueles dilemas”, garante.

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Dupla

Sobre a primeira justificativa, a parceria com Porchat, Miá brinca que o encontro dos dois que foi “paixão profissional à primeira vista”. “Nos conhecemos para fazer a série, mas parece que somos próximos desde muito pequenos”. A relação, com o ator–um fenômeno da comédia brasileira contemporânea– ultrapassa o coleguismo, segundo Melo. “Fábio é um mentor, me inspiro muito nele. Muito inteligente, muito rápido. Costumo brincar que jogo com a Seleção Brasileira. Na fase boa, com o Tite”, ri.

Sobre o segundo ponto, culpe-se a comédia, seguramente o “lar” da interpretação da atriz, que acumula no currículo também participações ou atuações em filmes como “Cilada.com”, e programas de TV como “Legendários” e “Casseta & Planeta”. De alguma maneira, ela é um dos símbolos da força com que o gênero tomou o entretenimento brasileiro nos últimos anos. “Além de ser um alívio para o povo, algo relaxante, também é um excelente jeito de colocar uma lente de aumento na sociedade”, acredita. “Fazer certa críticas com o drama seria muito pesado. Penso no caso do relacionamento entre os protagonista da peça: é uma coisa super doentia, intromissiva. Se narramos aquilo como um drama, você senta e chora. No humor, sai refletindo”, acredita.

Serviço: “Meu Passado me Condena”, no Teatro SESC Palladium (rua Rio de Janeiro 1046–Centro), hoje às 20h. Ingressos: Plateia 1 – R$ 60,00 (meia entrada);Plateia 2 – R$ 50,00 (meia entrada; Plateia 3 – R$ 40,00 (meia entrada)