A cena do funk em Minas Gerais começou a ganhar força com o funk “consciente”, com letras positivas e contrárias ao crime, mas nos últimos meses uma nova corrente passou a encantar os artistas do Estado. O chamado “funk ostentação”, nascido em São Paulo, que cada vez mais ganha adeptos em outras regiões do país.
 
São músicas que falam sobre Camaro e outros carros de alto luxo, ouro, tênis caros, mulheres belíssimas. Tudo que o dinheiro pode render para um artista – como Jay Z, Kanye West e outros grandes nomes do rap norte-americano já fazem há muito tempo. 
 
“Comecei fazendo funk consciente. Mas para pagar as minhas contas tinha dois caminhos para seguir: falar de sacanagem ou de ostentação. Como não gosto de palavrão nem de denegrir mulher, prefiro o funk ostentação”, conta MC Buru, um dos funkeiros mais respeitados de Belo Horizonte. 
 
O investimento no funk ostentação foi muito importante para a repercussão do trabalho de MC Buru. Seu clipe de “Olha Como É que Nós Tá” já teve quase 9 milhões de visualizações no YouTube. 
 
O vídeo tem vários carros de luxo e ícones da riqueza, mas Buru garante que não gastou nada. “Tudo ali foi emprestado pelos amigos. Mas para o meu próximo clipe estou investindo R$ 7 mil”, conta Buru, que consegue mais shows em São Paulo do que na capital mineira.
 
Produção
 
Para fazer um bom videoclipe não basta ter boa música ou amigos dispostos a emprestar artigos de luxo. É preciso contratar uma das produtoras especializadas na linguagem do funk ostentação. 
 
Pedro Henrique Moreira, o Pedrão, já produziu mais de 270 clipes em sete anos de trabalho como produtor de vídeo – a maioria dedicada ao funk. Aprendeu a filmar com a ONG Associação Imagem Comunitária (AIC) e comprou a primeira câmera com o acerto de um emprego que tinha como office-boy.
 
Após o estouro nacional do clipe de “Rainha”, de MC Romeu, Pedrão passou a receber propostas de diversas partes do país.
 
Recentemente, o videomaker passou a ser referência na realização de clipes de funk ostentação. “No início, os próprios artistas conseguiam os carros e os figurantes. Agora eu mesmo passei a fazer a logística. Tenho contatos de agências de modelos, de carros de luxo, de aluguel de mansões”, diz. 
 
Segundo Pedrão, um vídeo custa de R$ 6 mil a R$ 15 mil. “Mas é um investimento com retorno rápido. Se o clipe bomba na internet, o artista recupera o investimento em um mês”, diz o videomaker, responsável pelo clipe “Luxúria”, da MC Byana, um dos primeiros sucessos nacionais do funk ostentação. O canal de vídeo da empresa possui mais de 46 milhões de views. 
 
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