Foram apenas três pornochanchadas. Mas o bastante para rotularem Monique Lafond como uma das musas do gênero que fez sucesso nos cinemas do país na década de 70. “Não gostava de fazer nu. Para eu ficar nua, tinha que ter um propósito. Tinha que montar um personagem, pois não conseguiria fazer”, recorda Monique, que estará hoje em BH para a abertura do projeto “Curta Circuito”, às 20h, no Cine Humberto Mauro.
 
A conversa com o público acontecerá após a sessão do curta-metragem “O Ridículo” e do longa “Giselle”, em homenagem ao ator e produtor Carlos Mossy. Monique, por sinal, está no elenco do segundo, lançado em 1982, mas não aparece nua. “Jogada num camburão, morta, em ‘Eu Matei Lúcio Flávio’, tinha a ver com o personagem. Do contrário, o nu pelo nu, fica muito mais sensual jogar uma camisola por cima, como fiz num ensaio da ‘Playboy’”, lembra.
 
Um dos diretores que ela mais gostou de trabalhar foi Walter Hugo Khouri, atuando em quatro de seus filmes. “Amei todos. Ele era requintado, sabia dirigir mulheres. Sabia colocar a gente em cena de forma sensual, sem ser apelativo. Podia-se confiar nele, pois certamente sairia algo interessante”, elogia a atriz de 63 anos, que completou, no ano passado, cinco décadas de carreira.
 
Hoje ela está voltada principalmente para seus cursos de teatro, meio onde começou. “É uma maneira de me manter na ativa, de não ficar enferrujada. E é muito bom reunir pessoas de 13 a 90 anos. O jovem tem o frescor e os mais velhos, a sabedoria. Funciona como uma terapia”, salienta Monique, que também está em cartaz com a peça “4 na Kitchenette”, no papel de cantora de rádio que caiu no ostracismo.
 
A estreia como atriz foi aos 11 anos, na peça “Música Divina Música”, versão para o palco do filme “A Noviça Rebelde”
 
No cinema, Monique fez todos os tipos de filme, da pornochanchada ao drama, passando pelo humor ingênuo dos Trapalhões. Com o grupo de comediantes, ela participou de “Bonga, o Vagabundo” (1971), “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa” (1973), “Robin Hood, o Trapalhão da Floresta” (1973) e “O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão” (1977), os três últimos dirigidos por J. B. Tanko. 
 
“Na época, as pessoas diziam que fazer novela e Trapalhões a gente se queimava, mas saí fazendo. Através desses filmes que consegui uma projeção nacional. Se tem um público que me reconhece hoje é justamente o dos Trapalhões. O Tanko até chegou a me convidar para um quinto filme e não aceitei, porque acabaria virando uma trapalhona”, registra a atriz, que, ao contrário de muitos colegas, adorava fazer a dublagem de seus filmes.
 
“Naquele tempo não tinha som direito e tínhamos que dublar todas as nossas falas. Era a oportunidade para você enriquecer algumas coisas. Com uma inflexão, poderíamos dar uma cor diferente à cena. Adorava”, recorda.
 
Serviço: Projeto Curta Circuito – Hoje, às 20h, no Cine Humberto Mauro/Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537). Gratuito.