O cinema brasileiro está cada vez mais político, mas não partidário ou panfletário. “É uma política que reflete a busca de outras possibilidades nos modos de fazer, presente na própria estética do filme”, destaca Marcelo Ikeda, um dos curadores da 16ª Mostra do Filme Livre, cuja extensão mineira tem início amanhã, no CCBB-BH, com entrada franca.
 
Por dar atenção à produção independente do país, essa relação entre estética e política é mais presente na MFL, realizada anualmente no Rio de Janeiro. “A mostra marca posição nesse cenário do cinema de invenção, da potência de criação e da revelação de talentos”, salienta Ikeda, que também aponta o dedo para a juventude dos filmes selecionados.
 
“A juventude aqui entendida como uma ideia de renovação dos modos de fazer e não relacionada à idade dos realizadores, até porque Luiz Paulino dos Santos, que faleceu há pouco mais de uma semana (aos 84 anos, na cidade mineira de Aiuruoca), estava sempre pensando na renovação desse modo”, afirma o curador.
 
Homenagens
Luiz Paulino, por sinal, é um dos homenageados da MFL. A última exibição pública da qual participou foi na mostra carioca, no mês passado. “Será muito emocionante para a gente. Ele tem até hoje uma carreira pouco conhecida, submersa após o estigma de ter saído brigado da produção de ‘Barravento’ (que viria a ser o primeiro longa de Glauber Rocha), nos anos 60”, sublinha Ikeda.
 
Até o dia 5 de junho, serão exibidos cerca de 200 filmes em diferentes formatos, sendo 35 longas-metragens. A abertura será às 19h30, com “Já Visto, Jamais Visto”, último filme de Andrea Tonacci, outro homenageado da MFL, e um vídeo com os melhores momentos de Luiz Paulino na mostra do Rio. Após a sessão haverá debate com Cristina Amaral, viúva de Tonacci.
 
Serviço: 16ª Mostra do Filme Livre em BH – De amanhã até 5/6, no CCBB (Praça da Liberdade, 450). Sessões gratuitas, de quarta a segunda, das 9 às 21h.