Nessa data simbólica, que marca a resistência e a luta por direitos para as mulheres, o projeto “Mulheres Cabulosas da História”, encabeçado pelo movimento Levante Popular da Juventude, em Belo Horizonte, abre financiamento coletivo para a elaboração de um livro.

A publicação trará um ensaio fotográfico realizado no ano passado em homenagem a grandes personagens que fizeram a diferença na sociedade. Ao todo, foram produzidos 43 retratos em branco e preto.

Cada imagem vem acompanhada de uma pequena biografia da personalidade homenageada e da modelo que posou para a foto. Os retratos fazem referência a mulheres de várias épocas, países e movimentos. Entre elas, estão a cantora Elza Soares, a compositora Chiquinha Gonzaga – autora da primeira marcha de carnaval brasileira –, a pintora mexicana Frida Khalo e a filósofa feminista Simone de Beauvoir.

Por falar em mulheres fortes, que tiveram seus nomes escondidos ou mesmo retirados da História, chega às prateleiras das livrarias a obra “Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes”, das italianas Elena Favilli e Francesca Cavallo.

O livro traz a história de 100 mulheres do passado e do presente. Com linguagem lúdica, muitas vezes começando como os contos de fadas, com “Era uma Vez”, a publicação é voltada para o público infanto-juvenil, mas agrada os adultos com as belas ilustrações, feitas por 60 mulheres do mundo todo.

A obra é uma inspiração para que as garotas sejam protagonistas de suas próprias vidas. Tanto que, ao final, as autoras deixaram um espaço para que cada uma escreva a própria história e faça um autorretrato. Entre as mulheres retratadas na publicação estão duas brasileiras, a poetisa e Cora Coralina e a surfista Maia Gabeira.

 

Mulheres Cabulosas
Tuira Kayapo guerreira do povo indígena é uma das retratadas no projeto "Mulheres Cabulosas da História"

 

Para entender a origem
Instigada por um trabalho escolar da filha, Helena, a cientista política Ana Prestes escreveu o livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”, que lança neste sábado, às 15h, na Casa do Jornalista (av. Álvares Cabral, 400).

Em versos, a publicação conta a história de uma estudante que, aos oito anos, tem como tarefa escolar encontrar as origens da celebração que ocorre todo 8 de março. “Percebi que não há muita literatura infantil sobre o assunto e resolvi escrever”, diz a cientista política, relembrando a dificuldade para ajudar a filha na pesquisa escolar.

A pesquisa – para o livro, claro! – durou dois anos e teve a ajuda das filhas. Além de Helena, Gabriela. “Escrevi o poema e minhas filhas ajudaram a ajustar o linguajar. Ficou um livro muito didático e que pode ser utilizado em escolas”, garante.

O poema será recitado pela filha inspiradora do livro durante o lançamento. Em vídeo que ganhou as redes sociais esta semana, Helena – no papel da de Mirela, a personagem do livro – declama parte da obra. “Foi algo improvisado e se espalhou muito. É curioso ver uma menina de 10 anos recitando um poema forte e politizado”, acredita a mãe.

Ana Prestes

“Mirela” – Ana e as filhas Gabriela e Helena Prestes no lançamento do livro no Rio de Janeiro