O “Castelinho” da rua da Bahia, edifício construído em 1914 para abrigar o Conselho Deliberativo da Capital, e que já teve várias funções ao longo de sua existência, será transformado no Museu da Moda de Belo Horizonte (Mumo) a partir de dezembro. O espaço já vinha abrigando, desde 2012, o Centro de Referência da Moda (CRModa) e se tornou ponto de encontro para profissionais e pesquisadores da área. Mas o que muda com o status de museu?

De acordo com Yuri Mesquita, diretor de Museus e Centros de Referência da Fundação Municipal de Cultura (FMC), a ideia é potencializar e ampliar o trabalho que já vinha sendo realizado no local. O primeiro museu público dedicado a moda no Brasil terá acervo, exposições e biblioteca voltados para publicações relacionadas a moda e comportamento. 

“O CRModa tem legado importante para a cidade. A partir dele foi possível dialogar com diferentes setores da moda, como universidades, empresários, futuros empresários e transeuntes da região do edifício Maletta. Vimos uma necessidade de aprimorar isso e fizemos um plano museológico junto com representantes da sociedade civil”, afirma Yuri.

Ao se tornar museu, o espaço deverá ter uma sala climatizada para abrigar a reserva técnica. Mas isso não significa aumento dos custos do local, pois o orçamento permanece o mesmo. Segundo Yuri, vai haver uma otimização dos recursos para que o Mumo possa ter um bom acervo e manter as ações, como o Ciclo Cinema e Moda, o Slow Week (seminário sobre moda e sustentabilidade), oficinas de moda e design e outros.

Referências

A criação do Mumo é uma das várias ações realizadas pela Fundação Municipal de Cultura neste fim de mandato. Mês passado, foram anunciadas a criação da Cidade do Circo (a ser instalada na antiga Estação Ferroviária da Gameleira) e o Centro de Referência da Dança (que passou a funcionar no Teatro Marília). Em novembro, deve ser inaugurado um centro cultural na região Nordeste. Segundo Yuri, esses espaços dedicados a moda, circo e dança atendem a pedidos da comunidade artística, que deseja uma ampliação de políticas públicas para áreas menos assistidas – música, teatro, cinema e literatura costumam ter maior atenção.

“Deve-se escutar as pessoas, ter ações voltadas para todos os públicos. O Centro de Referência da Dança foi um pedido da própria comunidade, que queria um espaço para ensaiar e se apresentar. O diálogo é o primeiro passo para que a política pública tenha um maior alcance”, diz Yuri. 
Como haverá uma mudança de governo em pouquíssimo tempo, a institucionalização de espaços facilita uma continuidade de diálogo entre poder público e agentes culturais que vêm acontecendo há anos. “Os espaços são sistematizados para ouvir as demandas. Isso gera responsabilidade para o próximo governo, mas para nós também”, afirma Yuri.