Pela primeira vez, Belo Horizonte recebe obras do pintor Alfredo Volpi (1896-1988), considerado um dos grandes nomes da segunda geração do modernismo. Trinta e três trabalhos do ítalo-brasileiro estarão em exibição a partir deste sábado no Museu Inimá de Paula – alguns nunca vistos em terras tupiniquins. Nenhuma outra cidade do Brasil deverá abrigar a exposição que veio de Londres, onde estreou em junho. A curadoria é de Romero Pimenta. 

Uma retrospectiva da trajetória de Volpi, a mostra traz obras entre as décadas de 1930 e 1980. O ineditismo da exposição ficou por conta da tela de fachadas pintada nos anos 50. “Ela é de uma coleção particular paulista e ficou guardada por anos”, conta Pimenta.

Das figuras ao abstrato
Volpi iniciou a carreira pintando murais decorativos em 1911. Posteriormente, foi para as telas. O atelier pequeno, porém, não era apropriado para guardar os quadros feitos com óleo sobre madeira, pois logo ficavam mofados. Motivado a solucionar o problema, nos anos 40, o artista se desenvolve na técnica com base nas têmperas. “Ele dissolvia a têmpera na clara de ovo para fazer a liga entre o material e a tela. Para anular o cheiro de ovo, acrescentava cravo da índia”, esclarece Pimenta. 

Até a década 30, pode-se perceber influência da arte francesa, quando as obras possuíam características impressionistas. As figuras, porém, foram perdendo força até que o autoral se revela e, com ele, o chamado “abstrato puro”. 

Apesar de trazer um número modesto de telas, esse processo de amadurecimento de Volpi estará em voga na exposição. Isso porque, para a curadoria, a transformação do pintor foi um dos seus maiores feitos. “Volpi conseguiu fazer a transição da arte moderna para a contemporânea. Ele foi um artista singular, que buscou uma maneira própria de pintar”, afirma.

 

Volpi
Fase Impressionista – O vaso de flores foi pintado na década de 1930, com óleo sobre tela

 

“Bandeirinhas”
Conforme o curador, para a capital mineira foram feitas algumas adequações. A popular série “Bandeirinhas” ganhou mais destaque do que teve em Londres, onde as fachadas tiveram mais ênfase. “O Inimá de Paula é aberto ao público e recebe muitas crianças, visitas de escolas. Optamos por reforçar as ‘Bandeirinhas’ para dar um aspecto mais didático”, diz.

Pimenta ressalta, contudo, que resumir Volpi às “Bandeirinhas” é uma visão superficial. “Até os anos 50, os elementos estavam todos numa só tela. Depois, podemos ver um abstrato geométrico. Ele perdeu o compromisso com a perspectiva e passou a ter compromisso com a forma e a cor. É aí que a arte dele se tornou contemporânea e ficou evidente o grande talento de Volpi”.
 
Serviço: Exposição Alfredo Volpi, a partir de sábado (3), no Museu Inimá de Paula (rua da Bahia, 1201). Visitas gratuitas, às terças, quartas, sextas e sábados, das 10 às 18h30; às quintas, das 12 às 20h30; e aos domingos, das 10 às 16h30. Agendamento de visitas educativas: (31) 3213-4320.