Baseada no premiado livro infantil “A Gaiola”, de Adriana Falcão, a peça homônima que aporta hoje no CCBB, para uma mini temporada, precisou engrossar uma história sobre os limites do amor, já que o texto original pode ser lido em dez minutos.
 
“Fiquei com muita vontade de adaptar após ler, mas era um desafio. O livro é pequeno e não daria para fazer um espetáculo tão curto. Foi preciso desenvolver um roteiro”, lembra a diretora Duda Maia, que contou com a própria autora para ampliar as possibilidades narrativas.
 
Mais do que inventar novas sequências, o trabalho de adaptação envolveu elementos que “não só a palavra, trazendo a música, o movimento e a dança” para o palco. O resultado deu frutos e “A Gaiola” ficou duas temporadas em cartaz no Rio de Janeiro, ganhando fartos elogios.
 
A questão passou a ser como misturar linguagens sem perder a narrativa”, detalha Duda, que criou uma partitura coreográfica que costura toda a encenação. “Minha formação é dança. Durante muitos anos fui bailarina. Depois o teatro foi me puxando aos pouquinhos”, sublinha.
 
Como assistente de direção, ela sempre se desdobrava na função de diretora de movimento, o que foi fundamental para encontrar o estilo de dirigir. “O trabalho com o corpo permanece como um impulso. Se você não acha o corpo, não acha o resto”, analisa Duda. 
 
Embora tenha se baseado num texto infantil, a diretora avisa que é um espetáculo para todas as idades. “O amor é um tema universal. Mesmo quando fala de separação, o texto joga para cima, de forma otimista, mostrando que, na verdade, ele pode nos abrir muitas possibilidades”, destaca.
 
Amor verdadeiro
Nessa perspectiva, a história de uma menina que se enamora por um passarinho, prendendo-o numa gaiola, ganha um tratamento leve para as crianças e metafórico para os adultos, que estabelecerão relações com o que viveram ou estão experimentando agora.
 
Leitura que se torna mais palpável ao saber que a trama foi calcada num longo relacionamento de Adriana, encerrado após o marido querer novas aventuras. “Nessa época de intolerância, é importante falar de um amor sem condição, colocando num lugar mais verdadeiro”. 
 
Serviço: “A Gaiola” – De hoje até o dia 19 de dezembro, no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450). Sábados e domingos, às 11h e às 15h. Sextas e segundas, às 15h. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia).