Enquanto ONGs e órgãos públicos registram considerável aumento do abandono de animais de estimação no período de férias, por outro lado, muita gente não mede esforços para deixar seus pets felizes. Por eles, muitos abrem mão inclusive de viajar. E quando isso não é possível, não se afastam sem a certeza de que seus fiéis escudeiros estão aos cuidados de familiares e amigos ou de empresas especializadas de confiança.

“É um amor incondicional. E sempre vale a pena ficar perto de quem a gente ama”, afirma a jornalista Fernanda Fabbrino, de 34 anos, uma apaixonada por animais. Somente cachorros, ela já teve 18 ao longo da vida. Hoje, tem dois gatos, a Shanti Lee e o Bakunin; e três cães, a Leeloo, a Clara e o Me Not. A dedicação é tanta que Fernanda não viaja com a família toda há mais de 20 anos. “A última viagem que fizemos juntos foi em 1994. Uma pessoa sempre tem ficar em casa para cuidar deles”.

A jornalista recorda que, certa vez, sua família somente decidiu ir a um funeral em outra cidade após encontrar um ente que pudesse ficar com os bichinhos. “A preocupação é por causa do estado emocional que eles podem ficar (longe dos donos)”, explica a moça.

Fernanda mostra também que a dedicação pelos animais não termina em seus pets. “Se vejo um animal na rua, às vezes paro e dou comida e água”, diz. “Também ajudo com o trabalho de divulgação de animais achados na rua e pequenas doações a instituições especializadas”, acrescenta.

 

Filhos de quatro patas

 

Pets férias

Belinha, Brisa e Tuquinha – “Não importa que horas chego em casa, mesmo que seja de madrugada, sempre vou até as caminhas delas, brinco, coloco roupinhas e mantinhas em cada uma”, diz Katy


A correspondente bancária Katy Andressa Silva, de 36 anos, é outra amante dos animais. Ela diz já ter deixado até de trabalhar por causa deles. “Perdi um cachorro em outubro do ano passado, com leishmaniose. Foram dois anos de tratamento. Como sou autônoma, ganho pelo que produzo e, neste período, cheguei a deixar de trabalhar. Toda quarta-feira, ia para a clínica e ficava a tarde inteira com ele lá”.

Baladeira, Katy diz também ter deixado de ir a várias festas para não ficar longe do “filho”. “Ficava o tempo todo em casa e chegamos a gastar uns R$ 15 mil entre consultas, exames e remédios, mas não me arrependo de nada. A relação é igual de uma mãe por um filho”, observa.

Hoje, a correspondente bancária é dona de três pinschers: Belinha, Brisa e Tuquinha. O desafio, agora, é conseguir manter as cachorrinhas sempre acompanhadas. “Quando eu viajo, meus pais ficam em casa. E, se meus pais viajam, sou eu quem fico. Afinal, são minhas três filhas de quatro patas”, diz, entre risos.

 

Donos adaptaram a vida À rotina da cachorrinha

 

Pérola e Neila

Pérola e Neila – “A Pérola nos ensinou que as pequenas coisas são a chave da alegria, que a felicidade é estar em família”.


Pérola Carolline tem mais de 1.200 fotografias e reúne cerca de 12,4 mil seguidores em seu perfil no Instagram. O sucesso nas redes sociais tem razão de existir: Pérola esbanja simpatia com seus looks e poses. Além do mais, os pêlos dela, sempre bem cuidados, são de causar inveja a qualquer vivente de quatro patas. Sim, Pérola é uma cadela e bem mais popular nas redes sociais do que muito humano por aí.

A responsável pela cachorrinha é a educadora física Neila Caputo, de 34 anos. Tida como uma filha, Neila diz que organizou a rotina dela toda em torno de Pérola. “É um amor diferente. Nós três, eu, meu marido e a Pérola, formamos uma família”, diz. E, como uma família, os pais saem para trabalhar, enquanto a filha vai para a escola. “Ela gosta; fica toda animada quando vê a mochilinha dela”, conta Neila.

“Nós também corremos. Saímos todos os dias às 5h45. Pérola é uma atleta”, acrescenta. Até para dormir Pérola tem lugar especial. “Ela tem uma caminha em nosso quarto”, confidencia.

A educadora física conta ainda que não fez nenhuma viagem longa depois de adotar a cachorra. “Só costumamos ir em Campanha, no Sul de Minas, ver a família do meu marido. A gente pretende fazer uma viagem longa, mas queremos escolher um destino em que ela possa nos acompanhar”, frisa.

30 milhões de animais estariam abandonados no Brasil, segundo dados da OMS. 10 milhões são gatos e 20 milhões, cães

Caso de abandono
Neila conta que, desde criança, gosta de animais. Quando pequena, o seu maior apoiador era o avô. “Morava no Sul de Minas, pegava vários cachorros de rua para alimentar, e tive 14 gatos”, lembra. Quando veio para BH, em 2006, contudo, ela teve que abrir mão dos bichinhos.

O destino resolveu dar um empurrãozinho em 2012, quando ela já estava casada com o bancário Igor Baldo, de 40 anos. “Num dia chuvoso, cheguei na porta do nosso prédio, e a vi deitada no chão, muito suja. Não resistimos e a colocamos para dentro de casa”, lembra. A partir daí, a cadelinha nunca mais saiu da vida dos dois.

Para Neila, Pérola é mais um caso de abandono de animais. A cachorrinha foi encontrada em dezembro, período de férias, quando o número de abandono aumenta consideravelmente. “Ela procurou um tapetinho para fazer xixi. Isso mostra que havia sido treinada. Por isso, acreditamos se tratar de abandono, infelizmente”, relata.


Bistrô Vila Rica é opção para quem quer sair com pet para comer

Bistrô Vila Rica

Solidário – Bistrô Vila Rica já faz bingo para reunir fundos para uma instituição protetora de animais


Para quem vai ficar em BH e região durante as férias, a cidade oferece algumas opções para passear junto aos pets. Se a ideia é sair para comer, uma dica é o Bistrô Vila Rica (av. Fleming, 900, Ouro Preto), onde os bichinhos têm uma área verde para brincar. No dia 23, inclusive, o local receberá um evento especial para os cães: o “Arraiá dos Dogs”. Parte da renda será destinada a grupos de proteção animal. Mais informações e reservas: (31) 98586-9946.


Que tal fazer as compras junto com o bichinho de estimação?

loja Galerie

Liberado – Na loja Galerie, os clientes podem levar seus animais de estimação para as compras


Se o objetivo é sair às compras, uma opção é a loja Galerie (rua Alvarenga Peixoto, 589), que oferece uma área na qual os bichinhos podem ficar soltos, além de potinhos com água. O cliente também pode fazer as compras junto a seu animal. O Pátio Savassi (av. do Contorno, 6061) é outro que aceita a entrada de pets, com restrição na praça de alimentação e em algumas lojas.