As gravações vêm acontecendo desde maio, um tempo longo para o ritmo sempre célere das novelas, ainda mais no caso de “Justiça”, minissérie que estreia nessa segunda, na Rede Globo, que não terá mais do que 20 capítulos. “Esse é um produto muito bem acabado, que vem de um rigor artístico do diretor (José Luiz Villamarim) e da equipe. Parece que estamos fazendo um pouquinho de cinema na TV”, observa a atriz mineira Fernanda Vianna.

Integrante do grupo Galpão há mais de 20 anos, Fernanda interpreta uma jornalista de esquerda que investiga um escândalo de corrupção. O texto de Manuela Dias é muito contemporâneo, ao falar de drogas, política e racismo, sublinha a atriz, que enaltece ainda a linguagem ousada da minissérie. “São quatro núcleos, quatro histórias de pessoas que vão sofrer injustiças ou não, mas elas se permeiam, com os personagens entrando nas outras histórias”, revela.

Nessa terceira incursão na teledramaturgia da Globo (ela fez anteriormente “Hoje é Dia de Maria” e “Além do Horizonte”), Fernanda enxerga no roteiro um acento realista, sem buscar dar lições de moral. “A Justiça não é vista simplesmente como um processo jurídico. A novela fala de como a noção de justiça é abalada pela moral, pela ética e pelo lado afetivo”, comenta a atriz, que terá a seu lado nomes como Jesuíta Barbosa, Debora Bloch, Leandra Leal, Julio Andrade e outro mineiro, Ângelo Antonio.

A parceria com Villamarim quase aconteceu no longa-metragem “Redemoinho”, filmado em Cataguases e ainda inédito. “O Zé Luiz gosta de ator. Na televisão, tudo é muito rápido e acaba que o trabalho de ator acaba sendo um pouco autoral também, construindo solitariamente um trabalho. Mas ‘Justiça’ contou com três assistentes de direção, com uma possibilidade incrível de troca com o ator, que tem liberdade de propor coisas”, registra.

Para compor a jornalista, Fernanda recorreu à filial da Globo em BH, acompanhando o agitado dia a dia de uma redação de jornal. “Saí para a rua com os repórteres e os vi na bancada também. Isso foi muito bom. No teatro, você vai construindo camada por camada, mas na TV, você preenchia na hora que lhe chamam”, afirma Fernanda, que não pôde participar da última peça do Galpão, “Nós”.

“No Galpão, essa coisa de dar uma arejada, passear por fora, é bem tranquilo”, observa Fernanda, que é fisioterapeuta e tem em sua estante um troféu Kikito de melhor atriz por “O que se Move”. No início do ano, ela filmou “Uma Noite Não é Nada”, de Alan Fresnot, passado nos anos 80 e com roteiro de Jean-Claude Bernardet.