Embora seja pulsante em Belo Horizonte, a cena artística negra ainda enfrenta desafios. “Muitos espaços da cidade custaram a entender a necessidade de diversificar a programação, que é predominantemente branca. A gente olha para essa produção e não se vê, então criamos outros caminhos”, diz Tatiana Carvalho, professora de comunicação e artes da Universidade UNA. 

A segundaPreta, iniciativa da qual ela é integrante, surge justamente para romper com a falta de representatividade e palco para produções negras em Belo Horizonte. Em sua quinta edição, o evento reúne de hoje a 2 de julho quinze cenas, espetáculos e performances no Teatro Espanca!. 

Carvalho explica que a iniciativa não é um projeto cultural como os que circulam na cidade. “É mais um movimento que nasce de uma necessidade de artistas negros e negras de terem espaço para se apresentarem. São espetáculos já prontos”, ressalta. 

Embora tenha surgindo inicialmente para abarcar a produção negra da capital, a iniciativa ultrapassou os limites de Belo Horizonte.“É surpreendente que a segundaPRETA cresceu rapidamente e atraiu olhares de outros lugares, de cidades vizinhas, do interior e até mesmo de outros Estados”, celebra Carvalho.

Na edição que começa hoje, além de produções belo-horizontinas, estão presentes também espetáculos de Contagem, Ouro Preto e São Paulo. “A segundaPRETA é esse lugar de visibilidade. Não somos uma agência de espetáculos, mas é desejável que o que é visto aqui seja levado par outros lugares”, pontua.

Ela observa que o movimento que se forma no entorno das apresentações também amplia a atuação da iniciativa. “Esse ambiente de fora do espaço do teatro se transformou em um lugar de sociabilidade, que é o que a gente chama de aquilombamento”, sublinha ela, destacando que, além de um espaço de fruição de arte, a iniciativa também se amplia para outros horizontes. “Há a intenção de mostrar esses corpos negros como corpos pensantes e de uma potência intelectual e artística”. 

Homenagem

Assim como anteriormente, em que foram homenageadas importantes mulheres negras ainda vivas, a segundaPRETA celebra nesta edição a escritora Conceição Evaristo. “Tem muita mulher preta incrível no Brasil, fica até difícil escolher, ainda bem que temos muitas temporadas”, confessa Carvalho, em tom divertido. “Na seleção levamos em conta como nos relacionamos com essas mulheres, como elas nos inspiram. E o trabalho da Conceição nos provoca, a gente se identifica com ele em muitos pontos”, explica. “O método dela tem tudo a ver com o que a gente faz , que é deixar a linguagem se contaminar por uma questão que é da nossa ancestralidade que é a oralidade”. 

Além da homenagem, o evento inclui a segundaPRETINHA. Voltada para o público infanto-juvenil, ela leva para o Parque Municipal, no dia 10, o experimento cênico “Princesa Dandara”. “É a terceira vez que fazemos, porque o público infantil é fundamental”, afirma Carvalho. 

Serviço: SegundaPRETA, todas as segundas, de hoje a 2 de julho, às 20h30 no Teatro Espanca! (Rua Aarão Reis, 542 – Centro).