O trabalho do músico carioca Mario Adnet é sempre uma mistura de tudo que ele gosta, que está em sua “árvore genealógica” ou na de seus ídolos. Sem definições ou limites. Não diferente disso é o disco “Saudade Maravilhosa”, que ele lança em Belo Horizonte nesta quinta-feira.

Com um som aberto e cheio de possibilidades interpretativas, o álbum instrumental traz dez composições, das quais oito são de sua autoria. “Eu tinha pedaços de músicas que escrevi há 20 anos. Outras que comecei há três anos, e algumas saíram do zero um mês antes da gravação”, conta Adnet. 

Esse processo reflete nas melodia das faixas que apresenta um frescor, mas no fundo guardam uma saudade, como sugere o título. “O nome é um trocadilho com a cidade do Rio de Janeiro. Que de maravilhosa já não tem mais nada, ou se já foi e eu não sei”, brinca. “Saudade de coisas que não voltam mais, pois estamos sempre olhando pra frente e o mundo hoje muda em uma velocidade muito alta”, acrescenta.

Como em outras produções, Adnet assumiu vários papéis. Assina os arranjos, produção, composição, e ainda solta a voz na única faixa com letra – “Valsa do Baque Virado”, uma poesia carnavalesca. “A gente tem que saber de tudo um pouco. O músico independente é o mais dependente de todos, pois não conta com muitos recursos. E assim vamos nos aprimorando”, elucida. 

No refinamento de seus arranjos, Adnet reverbera suas influências e as músicas remetem à melodia de Pixinguinha, Caymmi, Tom Jobim e outros nomes da música popular brasileira. Resultando em um disco com jazz, choro, bossa-nova e outros ritmos.

Relação com Minas
Entre as duas faixas não assinadas pelo músico está “Viver de Amor”, do mineiro Toninho Horta em parceria com Ronaldo Bastos. Adnet fez uma releitura sem a letra da canção lançada há 41 anos na voz de Milton Nascimento, no álbum “Geraes”. “Fiquei desnorteado a primeira vez que ouvi Toninho Horta. Tanto que depois soube de outro disco do Bituca (Milton) e corri para comprar porque tinha música do Toninho”.

A memória afetiva em relação a Minas Gerais vai mais longe. “Foi em BH que fiz um dos meus primeiros shows, aos 20 anos. E essa cena volta agora na minha cabeça. BH para mim significa lugar de boa música”, elucida o artista, que se reveza entre produções autorais e o mergulho em obras de grandes autores como Villa-Lobos, Tom Jobim, Baden Powell e Vinícius de Moraes. 

Serviço: Show de lançamento do CD “Saudade Maravilhosa”. Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244, Lourdes). Nesta quinta, às 20h. Ingresso: R$ 40 e R$ 20 (meia)