Difícil encontrar quem nunca tenha deixado escapulir um sorriso ao cruzar com panfleteiros e animadores vestidos com grandes fantasias de animais. Foi do “Cachorrão da Emive” e de outros personagens similares que Leandro Belilo, dançarino e diretor da Cia. Fusion de Danças Urbanas, buscou inspiração para o espetáculo “Mexerica”. Primeira montagem do grupo direcionada ao público infantil, o trabalho estreia nesta quinta-feira (12) e fica em cartaz até o dia 29, no CCBB.

A trama discorre sobre o encontro da protagonista Mexerica, uma legítima “gata de sofá”, com outros bichinhos dançarinos, que a apresentam outras realidades. “Têm os dois cachorros, que são o Hip e o Hop; a família Sardinha, que são gatos de rua; a coelha Zezinha, que é surda; o João de Barro, que ela conhece quando vai para o campo”, conta Belilo, lembrando que, ao todo, são sete personagens, interpretados pelos dançarinos da companhia. 

“É uma história que aborda a diversidade, o respeito e a amizade. Por exemplo, como a Zezinha é surda, criamos uma coreografia específica em Libras, a linguagem de sinais. A ideia é mostrar que é possível conviver com a diferença, o que ficou bem colocado nas letras das canções criadas para a trilha sonora”, completa Isadora Rodrigues, uma das artistas do grupo, que assina a trilha totalmente original, outra grande novidade da montagem.

Questão artística

Sobre a dança em si, Belilo conta que a Fusion buscou criar uma linguagem que agrade crianças e também adultos. “Não queríamos fazer algo ‘dois pra lá, dois pra cá’, só com os bichinhos dando tchau, em que os pais dormiriam na plateia. Pensamos na questão artística antes de qualquer coisa”, afirma. “Então, usamos as linguagens de rua, como locking, hip hop dance, breaking e house dance, com influências brasileiras, como o funk. Mas, claro, em alguns momentos as coreografias foram simplificadas para ficarem mais fáceis para as crianças”, explica.

Para Belilo, o caráter agregador do movimento hip hop convida as crianças a refletirem sobre a diversidade e vai ao encontro da história do grupo. “Somos uma companhia de rua, formada na periferia de BH, e que agora ocupa um espaço nobre como o CCBB. Queremos falar tanto para as crianças da Zona Centro-Sul, quanto para as de outras regiões da cidade. Temos um público muito variado, o que é bem raro”, coloca. “Acredito no potencial da dança urbana, principalmente neste trabalho lúdico, e torço para que o público se misture ainda mais e saia do espetáculo feliz”, completa o diretor. 

Além Disso

Formada no bairro Pompeia, na periferia de Belo Horizonte, a Cia. Fusion de Danças Urbanas surgiu em 2002 e já estreou seis espetáculos autorais: “Som” (2009), “Matéria Prima” (2012), “Meráki” (2013), “Quando Efé” (2014), “Primeira à esquerda, segunda à direita” (2015) e “Pai contra mãe” (2016). O grupo, que hoje também conta com dançarinos do Aglomerado da Serra, já se apresentou em mais de 20 cidades brasileiras, distribuídas em sete estados diferentes, além de uma turnê pela França, realizada no ano passado.

Depois da temporada de estreia de “Mexerica” no CCBB, a companhia começa uma etapa de circulação pela capital mineira, levando o novo espetáculo para três regionais diferentes. A partir de agosto, os centros culturais Urucuia, Venda Nova, Vila Marçola e Padre Eustáquio também recebem o trabalho voltado para o público infantil, com acesso livre e gratuito.

Serviço: “Mexerica” estreia nesta quinta-feira (12) e vai até o dia 29 de julho no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450). As apresentações acontecem às quintas e sextas, às 16h, e aos sábados e domingos, com sessões duplas às 11h e às 16h. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)