Um trabalho realmente autobiográfico e íntimo, diz o carioca Paulo Ho, referindo-se a “Ex-Companheiro”, seu recentíssimo disco de estreia, que contempla dez faixas. Ouvidas em conjunto, formam uma espécie de “ópera pop”. “O trabalho fala de uma fase da minha vida, um ciclo. Eu tinha acabado de sair de alguns relacionamentos construtivos e destrutivos e de uma depressão. Bem típico. Daí estava num período embrionário, tentando entender meus padrões de comportamento diante das pessoas”.

E sim, neste processo, Paulo diz que pode entender muita coisa. “Foi um ano que passei meio trancado no meu apartamento. Resolvi muitas questões afetivas e sociais”, analisa ele, frisando, porém, que o disco não chega a ser uma terapia. “Porque o que eu queria mesmo era fazer música, mas como foram coisas que escrevi, acabou sendo uma fase de reflexão”, pontua.
 

FACETAS
 
Vale lembrar que o moço, de 36 anos, também abarca a profissão de ator em sua trajetória. Mas o chamado da música sempre esteve presente. “Fiz umas participações aqui e ali e, em 2013, acabei entrando num grupo formado por Letícia Novaes e Arthur Braganti, chamado Tru&Tro com sua Corja. Fizemos vários shows durante dois anos e acabei chamando o Lucas Vasconcelos para coproduzir meu disco solo”.

As duas facetas de seu pendor artístico, claro, vez ou outra se encontram. “Nas minhas performances no grupo e agora no show do disco, acabo usando minha experiência como ator. Então, acabo conciliando”.

Desde o começo, Paulo Ho quis fazer um disco que contasse uma história cíclica e fechada. “A ideia era mesmo ter uma narrativa contada em partes, que eu loucamente, na minha cabeça, divido em três, no caso do álbum. O disco tem influências de rock, pop, eletrônico, funk e mais. Vários artistas e obras me inspiraram: Freddie Mercury, The Who, Pink Floyd (principalmente ‘The Wall’), Cauby Peixoto, Maria Bethânia, The Neighbourhood, Amaral (grupo espanhol que gosto muito) e até mesmo Lady Gaga”, enumera.
 

SEM BLOQUEIO
 
A forma como ele e o produtor Lucas trabalharam foi bem orgânica. “Eu deixei as ideias fluírem sem bloquear nenhuma inspiração”.

Muitas vezes, Paulo teve ideias de letras e melodias sonhando. “Acordava e anotava e/ou gravava tudo. Criamos um grande arquivo com ideias e, a partir de músicas que considerei ‘chaves’, entendi a linha do disco. Então, fomos acrescentando influências que eu queria, principalmente privilegiando o uso da voz”, explicita.