Conhecido por sua verve fantástica, o escritor paraibano Bráulio Tavares confessa que ficou tentado a inserir seu universo povoado de monstros e cientistas na homenagem teatral feita ao conterrâneo Ariano Suassuna, em “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”, em cartaz neste sábado e domingo no Grande Teatro do Sesc Palladium.

“Meu texto para a peça respeita os elementos de Ariano, que são realistas. Na verdade, apesar de eu ter me encaminhado para a literatura fantástica, a nossa formação foi a mesma, passada no interior da Paraíba, onde o circo teve um papel importante. Suassuna sempre se disse um palhaço frustrado. Desta forma, dei um peso maior ao lúdico e ao épico”, registra Tavares.

Aliás, este lado épico já tinha sido abordado pelo escritor no livro “ABC de Ariano Suassuna”, quando fez a aproximação do paraibano com o mineiro Guimarães Rosa. “Os dois têm essa coisa com os jagunços, os sertanejos, a cavalgada... Suassuna mesmo admitiu que lançou ‘A Pedra do Reino’, em 1958, muito influenciado por ‘Grande Sertão:Veredas’, de dois anos antes”, destaca.

Realizada como homenagem aos 90 anos de nascimento de Suassuna (1927-2014), a peça dirigida por Luís Carlos Vasconcelos é um musical que reverencia a obra do escritor de forma não direta. “Não queríamos fazer uma biografia. O próprio não se daria por satisfeito com isso. Optamos por uma história original que trabalhasse o universo que Suassuna tanto gostava, como o circo, os jagunços, as disputas de terra e um pouco de romantismo”, afirma Tavares.

Ele acrescenta que Ariano era um grande conversador, fazedor de frases e piadista, caracterísitcas que serviram de combustível para o trabalho do elenco, formado pela Cia. Barca dos Corações Partidos. “Nós nos impregnamos muito disso. Em alguns momentos, os fãs irão identificar diálogos e cenas com os trabalhos de Ariano”.


Serviço: “Suassuna – O Auto do Reino do Sol” – No Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046–Centro). Sábado, às 21h, e domingo, às 20h30. Ingresso: R$ 50 e R$ 25