A cadeira de rodas é chamada de “cadeira atômica”. E a doença progressiva que o acompanha há anos ganha um viés menos triste, oportunidade para falar como a vida pode ser bonita. “Tenho um encantamento por tudo, uma grande vontade de viver”, observa Pedro Muriel, que pôs no papel as suas experiências na forma de prosa poética, como ele define os textos reunidos em “Proesia”.

Com lançamento hoje, dentro do projeto “Sempre um Papo”, no auditório da Cemig, o livro começou a ser esboçado em 2014, quando Muriel ficou hospitalizado por um mês devido a uma pneumonia. “Passei a escrever de maneira mais séria nesta época, como forma de escapar das tristezas. Era uma forma de me curar daquela dor e de ter liberdade para voltar ao mundo de novo”.

O livro de estreia surgiu como ideia de narrar todas a experiências que viveu. “É uma poesia muito cotidiana. Tiro a poesia daquilo que vejo e vivo, muito ligada ao mundo real”, afirma Muriel, que insere elementos oníricos em sua texto, “tentando cruzar o território do sonho para a realidade”. A cidade é um personagem que precisa ser desbravado rotineiramente.

“Do ponto de vista de uma pessoa deficiente, a cidade tem muitas barreiras. Ir a um museu, por exemplo, é uma aventura”, assinala Muriel, que, a despeito das limitações, tem um grande prazer em viajar e conhecer lugares. Recentemente foi ao extremo sul do continente, visitando a Patagônia. “Percorri dos mil quilômetros com a minha cadeira atômica”, sublinha.

Para ele é muito claro hoje que as cidades estão mais deficientes do que os próprios deficientes. “Quanto maior a acessibilidade que a cidade lhe oferece, menos deficiente ela é. Mas de maneira geral, as cidades não estão preparadas para receber uma pessoa deficiente”, lamenta o autor, nascido em 1987 e formado em Relações Internacionais pela PUC Minas.

Serviço: Sempre Um Papo com Pedro Muriel - Hoje, às 19h30, no auditório da Cemig (Rua Alvarenga Peixoto, 1200, Santo Agostinho). Entrada gratuita