O passaporte de Susana Travassos garante que sua nacionalidade é portuguesa, mas por vezes documentos são meras formalidades. “Já nem sinto que sou de Portugal”, garante a cantora. “Já incorporei muito do Brasil em mim, esta barreira já está diluída. As vezes estou lá e me perguntam se sou daqui”, revela.

Portanto, o show que Travassos faz, acompanhada de Jean Charnaux amanhã, no Teatro Bradesco, vale como um jeito de “tocar em casa”. A relação da cantora com Belo Horizonte, especificamente, é fortíssima. “Em 2008 estive aqui para participar de uma feira, e conheci muitos artistas locais, como Makely Ka e Vítor Santana. Me encantei com a música deles e com o histórico mineiro, como o Clube da Esquina. Pouco tempo depois parti para São Paulo, conheci Chico Saraiva, com quem gravei um disco. Criou-se uma relação arterial”, lembra. Assim, Travassos garante que não dá para dizer que sua arte é uma ponte entre os dois países. “Talvez no começo sim, mas hoje, penso que é uma redundância me colocar neste lugar”.

Formato

Na apresentação de amanhã, Travassos se une ao violão de Jean Charnaux, em um show que combina temas inéditos e releituras de canções e fados, depois de uma turnê em Portugal, este ano. Uma parceria vitoriosa, portanto, e de ótima “química”, como ela diz. 

O show tem um modelo (voz e violão) sedutor para ela, que já cantou acompanhada por instrumentistas brasileiros do calibre de Chico Pinheiro, Yamandú Costa e Toninho Horta. “Fui me encontrando neste lugar”, diz. “É um formato muito importante, exigente, que fez com que eu desenvolvesse, porque tudo fica vista, não dá para esconder nada. Se apresentar em duo cria uma relação musical muito particular”. 

Serviço: Show Susana Travassos e Jean Charnaux, amanhã às 21h no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2244–Lourdes). Ingressos: R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia)