Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de diabetes, fica aquela sensação de que não poderá mais degustar as coisas mais gostosas do universo da gastronomia – especialmente as sobremesas. Mas não é bem assim. O diabético pode saborear delícias, desde que tenha alguns cuidados na elaboração. É isso que pretende mostrar a série audiovisual “Tô Diet”, que está sendo desenvolvida pela produtora mineira Frutilla Filmes.

O projeto, que envolve também a criação de um site e um livro de receitas, está em fase de elaboração. A intenção é mostrar receitas que conciliam saúde e sabor, quebrando mitos que existem entre os diabéticos. Um exemplo: beterraba e mel não são alimentos proibidos para quem tem a doença relacionada ao funcionamento do pâncreas.

A iniciativa tende a alcançar um grande público-alvo. A Organização Mundial da Saúde estima que existam 16 milhões de diabéticos no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, 8,9% da população do país foi diagnosticada com a doença, sendo Belo Horizonte a segunda cidade com maior número de casos de forma relativa – 10,1 casos para cada 100 mil habitantes. A primeira é o Riode Janeiro, com 10,4 casos.

Dois episódios estão prontos e, em breve, poderão ser conferidos no Youtube. Enquanto o projeto não chega ao público, receitas estão sendo testadas e a equipe corre atrás de financiamento – via leis de incentivo, patrocinadores, investidores e parcerias. A Frutilla Filmes busca ainda uma parceria com um canal da TV paga.

Diagnóstico

A ideia de desenvolver um projeto com esse perfil nasceu da experiência vivenciada pela produtora Daniela Fernandes. Ela foi diagnosticada com diabetes há seis anos, quando tinha 30 anos de idade. “Minha família é toda diabética e eu sabia que tinha chances de ter a doença, mas fiquei cheia de dúvidas sobre o que podia comer ou não”, lembra Daniela.

Ao conversar com o amigo médico Luiz Marcatto, veio a ideia de fazer um programa audiovisual para quebrar mitos que existem entre os diabéticos, mostrar que é possível cozinhar coisas gostosas sem açúcar processado. Daniela procurou o sócio Cláudio Constantino, que topou investir na iniciativa, inédita no Brasil.

“Desde o início, tivemos a preocupação de que fosse um programa leve, que mostre que é possível comer bem. O Luiz entrou no projeto como apresentador e procuramos por um endocrinologista e uma culinarista para que fosse um projeto legal e cuidadoso”, afirma Daniela, contando que a equipe também tem tido a preocupação de não usar ingredientes caros ou difíceis de serem encontrados.

Além do programa que será disponibilizado no Youtube, a equipe planeja ainda apresentar no site um mapa com estabelecimentos que oferecem, pelo menos, uma opção diet no cardápio. "É uma maneira de estimularmos os restaurantes a produzirem sobremesas que possam ser servidas a quem tem restrição a açúcar processado", adianta Daniela.

Aproximação

Luiz Marcatto é formado em Design Gráfico pela Uemg e em Medicina pela UFMG. Sonhava em conseguir conciliar as duas formações e conseguiu encontrar essa possibilidade no projeto Tô Diet, onde atua como apresentador e consultor.

Segundo ele, o objetivo do programa é apresentar receitas gostosas, diferentes e práticas por um médico sem guarda-pó. “O que mais falta na medicina hoje é os médicos se colocarem mais como pessoas e menos como seres superiores. É importante ter uma conversa de igual para igual. Por meio do Tô Diet, poderemos mostrar que uma pessoa com diabetes por se alimentar como uma pessoa normal, desde que saiba controlar a quantidade”.

Confira o vídeo que a equipe do Tô Diet fez especialmente para o Portal do Hoje em Dia, com uma receita superfácil de pipoca doce com chocolate e avelã: