“O futuro é feminino”, diz a frase que corre há alguns anos pelas redes sociais e círculos socioculturais. De fato, ao que pese a desigualdade ainda latente no mercado da música, o número de artistas mulheres que trazem o empoderamento feminino como bandeira e direcionamento estético tem crescido exponencialmente, dentro e fora do mainstream. Em paralelo, também não são poucos os artistas homens que levantam a luta LGBT através de um posicionamento artístico e social essencialmente feminino. 

Nesta esteira, surgem projetos como o “FEMININO”, que acontece no Centro Cultural banco do Brasil entre sexta-feira (18) e domingo (20). A iniciativa – que já teve edições no Rio de Janeiro, em São Paulo e Brasília – promove encontros musicais inéditos entre artistas que carregam a força da expressão do feminino em seus universos. Na capital mineira, o gaúcho Filipe Catto se encontra amanhã com a paulistana Maria Gadú, enquanto, no sábado, Iza e Fernanda Abreu dividem o palco, unindo duas gerações de cantoras cariocas. No domingo, é a vez de reunirem-se duas cantoras paulistas de diferentes estéticas: Badi Assad e Tiê.

Marcado por contrastes que se complementam, o encontro entre Catto e Gadú promete uma mescla ímpar de timbres e interpretações. “Eu fiquei muito feliz de ser chamado para um festival que celebra este elemento fundamental da humanidade. O feminino é uma questão muito mais universal e urgente do planeta como um todo. Como ser humano e como artista, fiquei muito feliz de estar perto de pessoas tão inspiradoras”, afirma Filipe Catto. “Eu sou uma pessoa extremamente feminina desde sempre. A minha voz, que é o retrato da minha alma, é uma voz feminina. Isso é muito misterioso, poderoso e rico como criação”, completa o gaúcho.

Catto conta que sempre transitou pelo universo da androginia, e reverencia a potência artística das mulheres brasileiras. “Acho que quando o homem consegue colocar seu lado feminino para fora, ele traz à tona uma beleza independentemente do gênero e da orientação sexual. O equilíbrio entre o feminino e masculino torna as pessoas muito mais interessantes”, reflete. “A mulher dentro da música brasileira tem um espaço grande dentro do que é restrito para ela, que é ser uma cantora ali, bonita, na frente da galera. Agora, o mundo da música é extremamente machista e é muito raro a gente ver uma garota em uma banda tocando ou dentro de uma função técnica. Eu vejo uma pequena melhora, mas acho que ainda é muito pouco”.

A veterana Fernanda Abreu vê com bons olhos a força do discurso feminista na atualidade. “É, na minha opinião, um dos movimentos mais importante em curso na sociedade. Não apenas no Brasil, mas no mundo”, afirma, lembrando a Primavera Feminista de 2013 e as múltiplas ações afirmativas nas redes. Abreu ressalta que a parceria com Iza não vem de hoje. “Ela gravou os singles e o disco novo dela no meu estúdio. Curtimos música black e o nosso som tem um ponto de conexão muito orgânico. O Rio é uma cidade muito musical, todos os dias surgem novos talentos. Mas acho a Iza a melhor cantora que surgiu no ultimo ano”.

Serviço: FEMININO. Sexta, sábado e domingo, às 20h30, no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários). Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).