Após ser julgado e sentenciado pela inquisição na Espanha, um homem passa por torturas psicológicas, físicas e emocionais ao ser atirado em um calabouço. Quem se acostumou a assistir Zécarlos Machado na série “Sessão de Terapia, do GNT, vai poder conhecer um lado mais “assustador” do ator amanhã, no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte (CCBB-BH). No palco, ele dispensa as paranóias de Theo, seu personagem na série, pelo protagonista do enredo macabro de “O Poço e o Pêndulo”, conto de Edgar Allan Poe.

A releitura abre o circuito “Histórias Extraordinárias”, que estreia amanhã, em sessão gratuita às 19h30, no CCBB-BH. Além de Allan Poe, clássicos como Drácula de Bram Stocker e Frankenstein de Mary Shelley integram a programação, que ocupa o espaço uma vez por mês até janeiro.

Beatriz Gonçalves, curadora do projeto, conta que a decisão de levar essas histórias para o teatro surgiu da percepção da força do gênero nos mercados editoriais e audiovisuais. “Vários clássicos têm sido relançados em edições luxuosas. A indústria audiovisual também tem muitas produções relacionadas a esse gênero. O projeto surge em sintonia com esse movimento”.

A curadora aponta que, além das adaptações inéditas, o circuito se destaca por promover debates ao final das apresentações – as conversas acontecem sempre com os atores e diretores, tendo a mediação alternada entre a filósofa Márcia Tiburi e o jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto. “É muito bacana, porque o público não vai apenas para assistir ao clássico no palco, mas também para compreender a época em que ele foi escrito”.

Formatada por apresentações em monólogos de cerca de 40 minutos, as adaptações trazem aos palcos rostos conhecidos do público. “Escolhemos atores representativos do teatro e da TV brasileira para provocar uma identificação com a platéia, já que os espetáculos tratam da experiência de compartilhar um sentimento de inquietação e de medo dos protagonistas”, explica a curadora,

Ela destaca também a liberdade dada aos autores na construção das releituras . “Mantivemos as histórias originais, no entanto, os dramaturgos tiveram a liberdade para adaptar as histórias para a época que quisessem. Alguns trouxeram para os tempos atuais. Eles puderam criar textos autorais a partir dos clássicos”.

Incluindo sete clássicos de domínio público na programação, a curadora avalia que a escolha dos textos foi natural, justamente por colocar em cena produções importantes para o gênero. “Poderíamos ter escolhido até mesmo outros textos, como no caso do Allan Poe, que tem vários contos. Mas optamos também por histórias que proporcionassem também uma discussão contemporânea”, define.

Serviço: Peça “O Poço e o Pêndulo”, amanhã às 19h30 no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários), com Zécarlos Machado. Programação completa emhttp://culturabancodobrasil.com.br/portal/belo-horizonte