Pela primeira vez, Guinga não virá a BH para fazer show. Com mais de 50 anos de estrada, o compositor e violonista carioca foi convidado para abrir a 3ª edição do projeto “Retratos de Artista”, amanhã, quando bate um papo mediado pela jornalista Daniella Zupo, na Funarte.

Será uma conversa, avisa, mas com o violão a tiracolo. “Sem meu violão, sobe o Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar e não o Guinga, que foi o convidado. Claro que sou o Carlos também, mas meu violão tem de estar perto. Agora mesmo estou conversando contigo e... escuta só (o som das cordas)”, diz, ao telefone. 

Durante a sessão, temas dos mais variados podem surgir e, ao final, o público poderá fazer perguntas. Apesar de não ter traçado nenhum plano acerca do bate-papo, Guinga diz estar cheio de expectativas para o encontro. 

“Toda vez que subo num palco, nunca sei o que vou falar, não consigo preparar nada antes. Para mim, as manifestações têm que ser espontâneas para saírem verdadeiras. O que tenho certeza é que o homem só vence as barreiras da diferença com humildade e verdade, sendo quem ele é. Espero que as pessoas gostem da conversa. Sou um poço de defeitos, mas tenho qualidades e orgulho de quando acerto”, afirma. 

Projeto 

O “Retratos de Artista” trará também os músicos Dona Onete (23/3) e Mateus Aleluia (30/3). Segundo o coordenador do projeto, Renarde Nobre, a seleção privilegiou artistas de matrizes distintas da música brasileira, indo do violão ligado à MPB, que é o caso de Guinga, à ancestralidade da música afro, representada por Aleluia, passando pelos ritmos do Norte do país, de onde veio a paraense Onete. 

O projeto surgiu em 2012 na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, onde a primeira edição ocorreu. Com o sucesso, surgiu a necessidade de levar a conversa para além da instituição. “O sentido é de extensão, mas não no de levar o conhecimento da universidade para fora, queremos fazer o contrário: trazer os pensamentos de fora a partir de outras perspectivas. Cada artista é necessariamente um pensador da sua arte e tem muitas riquezas para compartilhar”, afirma Nobre.

Para ele, a arte é uma “fonte viva de ideias” e pode contribuir não só para a melhoria no âmbito acadêmico, mas de toda a sociedade. “A arte carrega um potencial de mudança, de qualificação do ser humano muito grande. Se tivéssemos uma mudança pedagógica pensando na arte, tenho certeza de que seríamos um país muito melhor”, conclui.

Serviço: “Retratos de Artista” com Guinga – Quinta-feira (16), às 19h30, na Funarte (rua Januária, 68, Centro). Entrada franca.