Você já foi a uma festa à fantasia? Provavelmente sim, motivo pelo qual o livro “Cachinhos de Urso” (SM) certamente vai atiçar a curiosidade do pequeno leitor. É que a história tem início justamente em uma grande festa à fantasia, que está sendo organizada na floresta. A animação contagia a todos, inclusive a família urso, onde todos preparam seus trajes.

O primeiro a submeter a sua produção ao olhar dos outros é Papai Urso, que, todo pimpão, exibe sua fantasia de Lobo Mau. Mas a grande surpresa vem quando o Pequeno Urso inventa de se vestir de Cachinhos de Urso. Oi? Com vestido e tudo? Sim, com direito a saia rosa e maria-chiquinha loira.
“Não, não, não!”, protesta Papai Urso, que tenta convencer o pequeno a se vestir de Cavaleiro Valente, com armadura. Ou de ogro feroz.
Mas o Pequeno Urso é destemido, e não arreda pé de se vestir como bem entende. E, dentro de seus direitos, cobra uma explicação do irritado pai. “Por que não?”.

Prensado contra a parede, ao Papai Urso não resta alternativa: precisa ser sincero, sinceríssimo: “Um urso de verdade não sua saia rosa. Nem maria-chiquinha loira!”, brada o genitor. E por que não? “Isso é para meninas, as ursas. Os fracotes, os frangotes, os pequenotes!”, explica ele.

Neste ponto, já deu para notar o tema que norteia o livro da francesa Stéphane Servant, que ganha belíssimas ilustrações de Laetitia Le Saux. Sim, muitas vezes nos guiamos por normas pré-concebidas, a ponto de nem percebermos que a liberdade de cada um é muito, muito mais relevante. Vale a pena, pois, questionar, sempre. Sem adiantar muito, podemos garantir que Papai Urso reciclou suas ideias. Ainda bem!
Um garoto que se recusa a ser... um porco-espinho!

ESPINHOS ‘PRA’ LÁ E ‘PRA‘ CÁ – O que será que aconteceu?

Já imaginou estar subindo uma rua, assim, tranquilamente, e ser surpreendido por uma estranha coceira na bochecha? Daí, seu rosto começa a se encher de pelos longos e duros, que vão pipocando daqui e dali... Bem, foi o que aconteceu com Otávio, um menino de dez anos, herói do recém-lançado livro “Otávio Não é Um Porco-Espinho!” (Editora SM), de Jean-Claude R. Alphen.

A primeira impressão de Otávio é que ele tinha se transformado em um porco-espinho. E não é que, quando o menino se dá conta, percebe que está frente a frente com um desses animaizinhos, numa floresta?

Aquilo só poderia ser um sonho, pensa Otávio. Ou melhor, um pesadelo. Só que não. Aliás, o porco-espinho tem até nome: Natanael. Não obstante ser um tanto roliço, Natanael é ágil, a ponto de Otávio penar para acompanhar o novo amigo nas brincadeiras que os dois vão desenvolvendo. O que está acontecendo? Bem, o esclarecimento deste mistério não é, assim, tão simples. Mesmo porque, o autor não deixa pistas óbvias. Cabe a cada pequeno leitor tirar suas próprias conclusões. E tentar esclarecer Otávio.