O clube de leitura que quatro amigas acima dos 60 anos criam para se encontrarem e trocarem confidências seria o mote para discutir questões que vão de valores que essas mulheres carregam ao longo da vida à abertura à imaginação que um livro sugere.

Em “Do Jeito que Elas Querem”, as personagens de Jane Fonda, Diane Keaton, Candice Bergen e Mary Steenburgen (as duas primeiras, ícones dos anos 60 e 70), por mais diferentes que sejam, precisam de um antigo artifício para continuarem se vendo e não serem, de certa maneira, censuradas pela sociedade, refletida nos homens e filhos com quem convivem.

A partir do momento em que o acesso a um livro picante as faz repensarem a sexualidade, especialmente na faixa etária em que estão, uma transformação de consciência se efetiva – em todas, ao mesmo tempo. O livro é “50 Tons de Cinza” e a trama do diretor Bill Holderman se contenta apenas com ele para trabalhar essa mudança coletiva.

Príncipe encantado

O que se vê é a ideia de uma segunda chance, tanto para si, em relação à possibilidade de um romance aos 60 anos, quanto para a relação que já mantêm, estagnada pelo tempo. Não há, de fato, uma mudança de rota na vida delas. Mas sim a descoberta de que podem continuar usufruindo a vida da mesma maneira.

Desta forma, ainda esperam pelo príncipe encantado – ou, no caso da personagem de Mary Steenburgen, que o marido volte a ter interesse sexual por ela. O resto da história já se pode imaginar nesta comédia leve cujas pretensões não são muito diferentes das protagonistas, dentro de um campo previsível e confortável.

É muito sugestivo que as amigas nunca encontrem os namorados ou cônjuges das outras, como se o que fizessem juntas não pudesse interagir com a vida privada. E não deixa de ser curioso que, para mulheres esclarecidas, um livro como “50 Tons de Cinza” seja o bastante para despertar um imediato desejo de mudança.

O filme parece querer se conectar, sem sucesso, com o que cada atriz representou na carreira para ir além da superficialidade. O que se confirma com a escalação masculina, formada por nomes como Don Johnson, Richard Dreyfuss e Andy Garcia, que “reprisam” seus papéis de 30 anos atrás, embalados pela trilha oitentista.