Multimídia e instantâneo. Essas são as principais características do aplicativo do momento, o Snapchat. É difícil encontrar alguém que ame redes sociais e que não teve ainda curiosidade de conhecer a plataforma. “Ele é menos maquiado porque você publica algo que está fazendo no momento e não tem muitos filtros. É um aplicativo que acompanha a correria da sociedade”, justifica a estudante de Psicologia Verônica de Paiva, 23 anos, que usa o app desde 2012.

Criado em 2011 pelo americano Evan Spiegel, então com 21 anos, o Snap bombou mesmo no fim do ano passado. Na lista dos dez aplicativos mais baixados da AppStore, apesar de poder ser usado para enviar texto, fotos e vídeos, ele não é bem uma rede social, pois não permite uma intensa interação entre os usuários.

O diferencial é que o conteúdo, de no máximo 10 segundos, só pode ser visto pelos amigos apenas duas vezes, já que, depois, o mesmo é “autodestruído”. É possível colocá-lo na opção “Minha história”. Neste caso, ele pode ser visualizado por todos os seguidores sem limite de vezes, mas somente por 24 horas. Não há memória ou linha do tempo, como no Facebook.

Efêmero

A natureza efêmera fez com que o app caísse no gosto de jovens e também de celebridades como o padre “pop star” Fábio de Melo. Ele criou um perfil há três meses e comenta em suas redes sociais que as pessoas cobram seus snaps todos os dias. “Ele é espontâneo e fala de coisas simples que estressam todo mundo no dia a dia. É irônico e você passa a vê-lo como um ser humano que é, e não uma santidade intocável”, argumenta Verônica, que confere todos os snaps do padre. 

O termo “snap” se refere a algo que acontece de forma súbita. O nome condiz com o objetivo do aplicativo, que significaria, em inglês, um chat passageiro e que não deixa rastros de que tenha existido. Não por acaso, o símbolo do app é um fantasma. Para o especialista em redes sociais Danilo Rocha, esta característica faz com que os usuários se sintam mais livres e espontâneos. “Não há uma preocupação com a estética e nem reflexões sobre o conteúdo”, pontua. 

Ferramenta de trabalho

“Cuidado. É viciante”, adverte a produtora cultural e relações públicas Fernanda Alves (Fe.Freitasalves), de 28 anos. Para ela o Snapchat tem menos glamour que o Facebook e o Instagram. “As pessoas postam o que está acontecendo ali na hora. Não há retoques como nas outras redes sociais. E isso é muito legal”. 

O aplicativo acaba auxiliando Fernanda em seu trabalho. “Se estou em um show divulgo no Snap. Também vejo quando algum artista que me interessa está na cidade, e com isso crio caminhos para chegar a ele para um futuro projeto”, comenta Fernanda, apontando o alto consumo de dados da internet e de bateria do celular como uma das únicas reclamações dos usuários.

Entre as pessoas que Fernanda acompanha está a advogada de São Luís do Maranhão Thaynara OG, de 24 anos, que contabiliza 400 mil visualizações diárias. Detalhe: ela tornou seu perfil público apenas no final de 2015. Esse fenômeno mostra a força do aplicativo em produzir celebridades da web.

 

Leo

O músico Leo Eymard usa o Snapchat como ferramenta para divulgar seu trabalho 

 

O músico belo-horizontino e instrutor no site Cifra Club Leo Eymard, de 31 anos, se rendeu ao Snapchat há três meses. “Eu uso como um compromisso, uma tarefa”, comenta Leo, que vislumbra no app uma possibilidade de divulgar ainda mais o seu trabalho.

Ao menos três vezes na semana ele bate ponto no Snapchat (leo.eymard) e suas postagens somam cerca de 2 mil views. “Diariamente aparecem novos seguidores. Fico surpreso, pois não divulguei muito meu snap”, comenta Leo, que publica bastidores das gravações de vídeos para o Cifra Club, momentos de lazer, entre outras coisas. “As pessoas que me conhecem têm curiosidade de saber o que faço por trás dos vídeos do Cifra Clube. Como o tempo de visualização é rápido, você não pensa muito para postar e isso torna o conteúdo mais verdadeiro”, analisa o músico, que recebe retorno de seus seguidores pelo Facebook ou Instagram. 

O Snap já ultrapassou o Instagram entre o público jovem e assombra o Twitter – que está em queda desde 2014 – de acordo com o banco de investimentos Piper Jaffray (EUA). São 700 milhões de usuários no mundo, sendo 86% com menos de 36 anos

 

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