Referência de paternidade para mais de um milhão de seguidores, o jornalista Marcos Piangers diz não ter sido sempre um pai tão legal. Quando Anita, hoje com 12 anos, nasceu, ele, como muitos, se preocupou mais em dar conta de pagar todas as despesas do que ser participativo na vida da filha. “Quando Aurora (hoje com 5 anos) veio ao mundo, estava muito mais preparado e consciente dessa necessidade de estar mais presente”, garante ele, que não se conteve em guardar só para si a descoberta. 

Parte do que aprendeu e tem aprendido, Piangers decidiu expor na web. A troca acabou rendendo ainda dois volumes de “O Papai é Pop” (Editora Belas Letras). Só o primeiro livro vendeu mais de 100 mil exemplares, ficou por seis semanas na lista de best-sellers, teve e-book traduzido para o inglês (“Dad is Cool”) e direitos vendidos para Espanha e Portugal. É essa história a base da conversa que o autor terá com o público, hoje em Belo Horizonte e amanhã em Sete Lagoas, em mais uma edição do projeto “Sempre Um Papo”. Ambos com entrada gratuita.

Com bom humor, Piangers relata nas redes sociais e nas publicações as aventuras que viveu com as filhas. Nada do que compartilha tem, porém, a intenção de apresentar um caminho a ser trilhado para ser um bom pai. O que Piangers defende é que todo pai deve ser “pop”, isto é, na linguagem dele, participativo. “Não é ser um pai que acerta tudo, mas o que tem vontade de acertar tudo, de estar ali atento, se preparando para os momentos mais difíceis, que divide as funções com a esposa, e, se possível, faz até mais, porque a esposa já passou por tanta coisa (por causa da maternidade)”, opina. 

A posição do jornalista surpreende visto que ele cresceu sem pai. “Quebrei um ciclo muito complicado e difícil. Jovens abandonados, geralmente, abandonam. Eu preferiria mil vezes ter tido um pai presente, porque tenho a certeza de que seria um pai melhor ainda. Se eu tivesse tido um pai referencial, não teria errado tanto”, pontua.

Missão sublime
Apesar de o século 21 ter chegado há 16 anos, no que diz respeito a paternidade, aparentemente, a modernidade não emplacou ainda, como diz Piangers. Para o jornalista, a consciência coletiva ainda tem uma ideia a respeito do assunto fundada décadas atrás.

“Nesse país, ter pai é um luxo. A maioria das famílias tem pais ausentes, que contam uma mentira para si mesmos, de que pagar a conta é o suficiente, mas não é”, critica. 

Além do efeito positivo nos filhos, Piangers acredita que o pai tem que ser participativo para não perder “a oportunidade mágica, a missão sublime, a dádiva divina de ver um ser humano crescendo e se formando” e, assim, até contribuindo para o mundo ser um lugar melhor. “Você vai perceber que aquilo é sua obra prima e que você pode ser um profissional incrível, mas a melhor coisa que você vai fazer na vida é seu filho. Você vai deixar uma herança, seu filho vai te fazer encostar na eternidade, vai manter seus genes no futuro”, finaliza. 

Serviço: “Sempre Um Papo” com Marcos Piangers – Hoje, às 19h30, no auditório da Cemig (rua Alvarenga Peixoto, 1.200) e amanhã, às 19h30, no auditório da UNIFEMM (av. Marechal Castelo Branco, 2.765, em Sete Lagoas). O que vem por aí: Lira Neto, dia 4 de abril, às 19h30, e Joca Reiners Terron, dia14 de abril, às 19h30, no auditório da Cemig. Todos com entrada gratuita.