A 43ª edição da Campanha de Popularização Teatro & Dança está a todo vapor. Para quem busca novidade, a grade de programação traz 95 peças inéditas no evento. Reunimos aqui algumas boas opções, dentre os espetáculos novatos no evento, com sessões neste final de semana.

Parte integra o projeto “Mostra”, com atrações especialmente convidadas para a Campanha. Dentre elas, “Real”, do grupo Espanca!, em cartaz no Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3613), hoje e amanhã, às 20h, e domingo, às 19h. Por R$ 5. 

Reunindo quatro peças curtas, inspiradas em acontecimentos reais, a montagem problematiza o país e suas contradições. Para isso, se aproxima do conceito de teatro de revista e apresenta uma diversidade de linguagens, como dança, manipulação de bonecos e trabalhos sonoros.

Outra aposta para os próximos dias é o solo “Ensaio para Senhora Azul”. A montagem dirigida por Robson Vieira – da companhia Teatro Invertido – faz um jogo com os limites entre a lucidez e a loucura. A atriz Kelly Crifer vive muitas mulheres em uma só no palco, onde devaneia sobre histórias pessoais, situações-limite do cotidiano e utopias. Uma metáfora sobre a liquidez da vida e o controle que se tenta imprimir a ela, muitas vezes inútil. Em cartaz no Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1046) hoje e amanhã, às 20h, e domingo, às 19h. Ingresso a R$ 10. 

 

“Ensaio para Senhora Azul”, de integrantes do Teatro Invertido é boa opção para este final de semana
“Ensaio para Senhora Azul”, de integrantes do Teatro Invertido é boa opção para este final de semana 

 

Infantil
Com 15 títulos a mais que a última edição, sendo 58 no total, a programação infantil da Campanha garante a diversão dos pequenos. Entre as estreantes estão peças inspiradas em filmes e programas de TV, como “O Rei Leão”, em cartaz no Teatro Alterosa (av. Assis Chateaubriand, 499) de hoje a domingo, às 16h; “Peppa Pig”, no Teatro Nossa Senhora das Dores (av. Francisco Sales, 77), amanhã e domingo, às 16h; e “Branca de Neve – Pocket Show Ao Vivo”, que mescla teatro, contação de história e música, no Teatro do Pátio Savassi (av. do Contorno, 6061), amanhã e domingo, às 15h30. As três com ingressos a R$ 15.

Outra opção é a montagem “Além da Imaginação”, que mistura mágica, poesia, música e elementos visuais. Os mágicos Henry Vargas e Klauss Durães comandam a cena. Hoje e domingo, às 21h, no Teatro Alterosa, por R$ 15.

 

Entre os destaques da programação, há dramas, comédias, suspenses e romances

Máquina

“Máquina” – A Miúda Cia está em cartaz no Teatro Francisco Nunes

“Máquina” (Miúda Cia) e “Um Interlúdio: a Morte e a Donzela” (Grupo Teatral Encena) são outras duas boas opções para este final de semana dentro da Campanha de Popularização.

 A primeira é uma livre adaptação do romance “A Máquina de Fazer Espanhóis”, do escritor angolano radicado em Portugal Valter Hugo Mãe. A peça fala das questões que cercam a terceira idade. Na trama, um senhor que se muda para um asilo chamado Feliz Idade. Ele e outros moradores são afetados pelas lembranças do passado, além de entrar em um constante diálogo sobre a morte e a vida. A montagem cumpre duas apresentações hoje, às 19h e às 21h, no Teatro Francisco Nunes (Parque Municipal). Ingresso a R$ 12.

Interlúdio
“Um Interlúdio” – Suspense psicológico marca o enredo da peça em cartaz no CCBB-BH

Uma mulher que, após 15 anos, reencontra o homem que a torturou. Esse é o pano de fundo de “Um Interlúdio”, que aborda a violência, justiça, machismo, ditadura, entre outras questões. Um suspense psicológico dirigido por Wilson Oliveira e encenado por Christiane Antuña, Gustavo Werneck, e Nivaldo Pedrosa. A montagem finaliza sua temporada na Campanha neste final de semana. Em cartaz no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450) de hoje até segunda, às 20h. R$ 10. 

 

Comédia

Simplesmente Marta

“Simplesmente Marta” – Umas das opções de comédia dentro da programação

Para quem busca as comédias na Campanha de Popularização, algumas peças renovam as opções do gênero na programação. Caso do solo “Simplesmente Marta”, outra peça integrante do projeto “Mostra”. Um solo de Cleo Magalhães, o espetáculo traz uma apresentadora em fim de carreira. 

Ao levar uma personagem feminina ao palco, Cleo Magalhães remete ao trabalho das drag queens, mas sem se prender ao feminino ou masculino. O cenário assume a forma de um cabaré e tudo é transmitido ao vivo em telões, como em um programa televisivo. A peça está em cartaz na Funarte-MG (rua Januária, 68), de hoje a domingo, às 20h, por R$ 10.

 

Verão Arte Contemporânea também traz boas opções

 

Berimbrown

Berimbrown – Grupo mineiro convida rapper MV Bill para show gratuito no Sesc Palladium


Uma noite “dançante e pensante” é o que promete o grupo mineiro Berimbrown, que abre a programação do Verão Arte Contemporânea (VAC), hoje, às 20h, no Grande Teatro do Sesc Palladium, com entrada franca. 

No show intitulado “Lamparina”, eles levam ao palco um repertório pautado na ancestralidade da música negra, onde resgatam a tradição das comunidades quilombolas e discutem a “escravidão moderna”. “Fomos no passado buscar conceitos que dividíamos com nossos pais e avós. Uma sabedoria que não existe na academia, para refletirmos o que acontece hoje no mundo”, explica o fundador do grupo, Mestre Negoativo.

Apreciador da obra do geógrafo Milton Santos, o músico se inspira na ideia de que “uma outra globalização seja possível”. "Ele aponta que a globalização em sua essência é perversa, principalmente com os que estão à margem da sociedade, chamados de ‘Homens Lentos’”, comenta.

Mesclando soul, hip hop, dub e raggamuffin, o Berimbrown vai se cercar de amigos nesta noite. O grande convidado é o rapper MV Bill. “Temos um trabalho muito próximo. Ele dialoga com várias gerações e também trafega pela literatura. Logo pensamos nele”, elucida Negoativo.

Além de MV Bill, o grupo divide a noite com a matriarca sambista Dona Ana Eliza e com rappers da nova geração, como Kainná Tawá, Glauber Calixto e Max Souza.

 

Teatro

 

“...Ricochete!”

“...Ricochete!” – Peça faz parte de uma pesquisa sobre o conceito de “bala perdida”


A dramaturga, diretora e atriz mineira Rita Clemente também está em cartaz no VAC. Ela apresenta seu mais recente trabalho “...Ricochete!”. A montagem dialoga com a anterior, “19:45”, feita em parceria com a Miúda Cia. As duas peças fazem parte da pesquisa de Rita Clemente sobre o conceito de “bala perdida”, um estudo dramatúrgico sobre acasos e coincidências.

 “...Ricochete!” tem como pano de fundo dois personagens, mãe e filho, envolvidos em um tiroteio. A peça fica em cartaz entre amanhã e segunda, às 19h, no CCBB-BH. Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (meia).