“O que começa terá seu final / E isso é normal / A dor do fim vem pra purificar”. Os versos de “Recomeçar”, faixa-título do primeiro disco solo de Tim Bernardes, explanam o universo confessional do trabalho. Melancólico e, ao mesmo tempo, esperançoso; angustiado e, por que não, otimista. “Apesar do nome, não é um disco sobre recomeço, mas sobre o vazio. Sobre o limbo entre o que acabou e o que ainda há de começar”, explica o cantor, compositor e instrumentista paulistano, que apresenta o álbum em Belo Horizonte, pela primeira vez, nesta quinta-feira (8), no Teatro Bradesco.

Lançado em outubro do ano passado pelo selo Risco, “Recomeçar” afere o amadurecimento artístico de Tim Bernardes. Disco de um homem só, traz 13 faixas, todas compostas e gravadas unicamente por Tim, que também assina os arranjos, a direção musical e a produção. Ambos aclamados pela crítica em 2017, o álbum vai na contramão de “Melhor Do Que Parece”, terceiro disco d’O Terno, tanto no que se refere à estética quanto ao processo de gravação.

“Para mim, a novidade foi estar sozinho no estúdio. Gravar tudo sozinho, com exceção dos sopros e cordas. Tendo feito muitos trabalhos com banda, eu tinha uma vontade acumulada de explorar esse outro caminho”, afirma o músico, em entrevista ao Hoje em Dia. “Geralmente, eu compunha músicas que faziam sentido para O Terno, mas, de vez em quando, vinham canções mais pessoais e minimalistas. Fui guardando essas músicas desde o primeiro disco d’O Terno, até que abri o ‘baú’ e percebi que havia um material consistente, um disco praticamente pronto”.

Tim conta que esperou o momento certo para desnudar emoções tão pessoais. “São músicas que eu não me sentia impelido a mostrar. Guardava para mim, para ver como iria absorvê-las com o tempo. Então, chegou um momento em que eu me vi disposto e curioso a expor esses sentimentos”, reflete. “Muitas vezes, outras pessoas se identificam com um sentimento, com uma vivência, e sentem-se acolhidas pela canção”, diz.

Mas que sentimentos são esses sobre os quais Tim Bernardes se debruça em “Recomeçar”? “Tem muito a ver com as angústias que passam pela cabeça, com a queda de estruturas e ilusões. Falo das desilusões, num sentido mais amplo que o amor”, pontua. “Eu não vejo ‘Recomeçar’ como um disco baixo astral. Ele fala de coisas tristes, de sofrimento, mas de uma forma bonita. Tem um arco que vai ao fundo do poço e volta com esperança. Entra na fossa, mas reflete e consegue sair de lá melhor”, completa.

Tim revela, ainda, que o show segue um caminho diferente da gravação. “Desde o começo, minha vontade era que fosse um show de compositor. Não queria reproduzir o disco, com todos os arranjos, chamar orquestra e tudo. Então, sou só eu, piano e guitarra. Com foco na palavra, na voz, na canção”, finaliza. 

Serviço: Tim Bernardes apresenta “Recomeçar”. Quinta-feira (8), às 21h, no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2.244 – Lourdes). Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada).