Conversamos com o idealizador e curador do Festival Literário de Araxá, Afonso Borges, acompanhe:

Em 2018, o Fliaraxá chega à sétima edição. Como avalia a trajetória do evento? 
Há sete anos começamos como uma aposta e desde então só crescemos. É bom poder olhar atrás e ver a evolução que tivemos, em vários sentidos: na curadoria, na produção, na comunicação. Os números mostram bem esse movimento. Começamos com 25 convidados e um público de 6 mil pessoas. No ano passado, 80 convidados e 25.776 pessoas presentes. Em sete anos, foram 82.508 presenças registradas no festival e um arsenal de mais de 110 mil livros postos em circulação na região.

Nesta edição, o Fliaxará traz grande número de convidados, 120 no total. Como foi feita a escolha dos nomes?
Essa é uma etapa tão prazerosa quanto complicada. São muitos os fatores que afetam a seleção de convidados e as decisões às vezes são difíceis de serem tomadas. Neste ano, felizmente, contei com a ajuda da professora Heloisa Starling, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do jornalista Eugênio Bucci, da Universidade de São Paulo (USP), e do escritor Leo Cunha. As atrações locais tiveram a curadoria do Luiz Humberto França e do Rafael Nolli. Só tenho a agradecer o enorme apoio de todo o time curatorial, considero que fizemos um bom trabalho.

Com lista tão extensa e programação diversa, o que você aponta como destaques da edição deste ano?
Essa é uma pergunta que eu certamente não poderia responder sem ser injusto. Montamos uma programação muito rica e diversa, para todos os gostos. Além de uma excelente programação musical, temos o “Fliaraxá Gastronomia”, focado na culinária mineira e da região, a exposição fotográfica do Fernando Rabelo e do acervo do Museu dos Brinquedos. Isso sem falar do principal: a literatura! A dica para os leitores é uma novidade deste ano, o “Mastigando Autores”, que vai promover encontros entre autor e leitor, em uma programação de hora em hora, numa conversa mais direta, comandada pelo público mesmo. Aos pais, só posso pedir que não deixem de conferir a programação infanto-juvenil deste ano, os filhos agradecem.

O festival celebra também outros importantes nomes e marcos da literatura brasileira, como os 110 anos do nascimento de Guimarães Rosa, celebrados em 2018, e também os 80 anos do lançamento de “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. Qual a importância de exaltar esses clássicos?
Graciliano Ramos e Guimarães Rosa são dois sujeitos ímpares, gênios universais, que temos a sorte de poder chamá-los brasileiros. Essas datas são especiais, ótimas para revisitar e olhar criticamente o valor que damos às obras primas de nossa cultura, mas também para comemorar. Afinal, clássicos assim tão raros são, por si só, bons motivos para celebrar. Que sorte a nossa, não?

Alguns dos eventos serão transmitidos simultaneamente na página do festival no Facebook. Qual a importância de estender a programação para além da cidade?
Já fizemos essa transmissão em anos anteriores e temos evoluído muito no processo. Começamos com pouquíssima audiência e, nos últimos anos, tivemos números muito expressivos. Apenas em 2017, foram 211.704 mil espectadores acompanhando o festival pela internet. É uma enorme alegria ver um evento que construímos com tanto cuidado ser potencializado dessa forma, ganhando um alcance imenso. É um ganho para toda a sociedade. Um festival do porte do Fliaraxá exige muito trabalho e investimento, mas também traz grandes benefícios. Amplificar os impactos positivos do festival na sociedade é, inclusive, um ganho em eficiência no investimento realizado em cultura. 

Serviço
VII Festival Literário de Araxá – Fliaraxá
De 27 de junho a 1 de julho 
Local: Tauá Grande Hotel de Araxá Informações: fliaraxa.com.br
Entrada gratuita

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