Rafael Reis* - Instagram: @escolaexperimente

O nome Captain Burton é uma homenagem ao Explosivo, erudito, controverso. Richard Francis Burton foi uma das personalidades mais fascinantes do seu tempo. Promoveu importantes expedições por todo o mundo, foi desbravador de povos exóticos e ricas culturas. Entre suas longas e importantes viagens está a notável visita às Minas Gerais em meados do século 19, quando percorrera o rio São Francisco descrevendo a natureza e os costumes locais. Seus antigos registros relatam as bucólicas paisagens do leito do Uaimií e as propriedades históricas, ainda hoje conservadas pela cervejaria. 

APA é a sigla da expressão inglesa American Pale Ale. Uma cerveja desse estilo deve ser clara, fermentar em temperaturas mais altas, geralmente na faixa de 18 º C, apresentar amargor mais perceptível e aroma de frutas cítricas, uma característica marcante das cervejas artesanais produzidas nos Estados Unidos. Geralmente, quando uma cerveja se apresenta como pertencente à família das “american”, espera-se que ela tenha uma carga maior de lúpulo – uma planta utilizada para conferir amargor e aromas diversos à cerveja – do que uma cerveja tradicional, no caso uma típica Pale Ale inglesa.

A Captain Burton é uma APA que representa muito bem seu estilo: tem cor âmbar claro, boa formação de espuma, aroma cítrico e floral dos lúpulos americanos e um leve adocicado, lembrando caramelo, vindo do malte. Na boca, percebe-se um bom equilíbrio do dulçor do malte, bem sutil, e o amargor do lúpulo, que persiste na boca depois do gole, trazendo um leve sabor frutado e cítrico. É leve, macia e bem refrescante. Combina muito com o nosso clima tropical e é uma ótima opção para o dia a dia. Quando vou à Uaimií, é a cerveja que gosto de pedir no balcão, pra matar a sede e relaxar, enquanto escolho com calma a próxima cerveja.

Para quem gosta de experiências envolvendo comidas e bebidas, essa APA pode ser uma boa pedida para um prato que é velho conhecido da nossa culinária de boteco: porção de linguiça acebolada com fritas ou mandioca. O dulçor da linguiça e da cebola equilibra bem o amargor do cerveja, que, por sua vez, ajuda a cortar a gordura da carne e da fritura. O sabor levemente frutado e cítrico serve como um tempero para o prato, que fica ainda mais saboroso. Só não exagere na pimenta, pois ela irrita a boca e, com isso, potencializa bastante o amargor do lúpulo. 

Rafael Reis é especialista em tecnologia cervejeira, gestor sensorial e coordenador da Escola Experimente

 

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