2016 ainda não acabou. Pelo menos não para os fãs do cantor David Bowie, falecido há um ano, em 10 de janeiro, dois dias após completar 69 anos. As diversas manifestações que ocorrerão mundo afora, durante a próxima semana, serão marcadas por esse misto de celebração (o Camaleão completaria sete décadas de vida amanhã) e tristeza pela morte de um artista tão completo.
 
“Bowie representava tantas possibilidades, facetas diferentes de quem privilegiou a liberdade artística. Cada disco dele era diferente do outro. Ele foi o único deus da música que continuou relevante até o final da vida”, observa o compositor Stefan Salej Júnior, que, um mês após a morte do astro, de câncer no fígado, promoveu um show beneficente em BH com covers do cantor inglês.
 
“Nomes como Bob Dylan, Jimmy Page, Robert Plant, Rolling Stones e Paul McCartney são representativos, mas pergunto o que eles significam em termos de criatividade hoje em dia. Quando se ouve um disco maravilhoso como ‘Blackstar’, você sente que não teve jeito melhor para Bowie dizer adeus. Do primeiro ao último disco, sentíamos o que ele queria passar”, registra o fã.
 
Para Stefan, o maior presente deixado pelo artista foi a liberdade. É hoje o que lhe inspira na música, “gravando e divulgando apenas canções que tenham relevância”, na contramão de um mercado pautado pelas vendas. “Ninguém faz mais nada além de sertanejo. Falta sinceridade na música atual, até mesmo entre as bandas indies”, lamenta Stefan, à frente da banda Ous.
 
Fãs de David Bowie aguardam a estreia do filme “O Homem que Caiu na Terra”, produção de 1976 que está sendo lançada pela distribuidora mineira Zeta, com estreia em várias capitais na próxima quinta-feira (leia matéria na próxima página). A gestora de marketing Janaina Zonzin já separou um horário na agenda para ver o filme, um dos muitos protagonizados por Bowie.
 
Janaina foi apresentada ao Camaleão justamente com um filme, “Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída” (1981), quando tinha 13 anos. Ela assistiu à fita VHS sem seus irmãos saberem e ficou impressionada com o trabalho de Bowie. “Quem é esse cara? Perguntei a um dos meus irmãos assim que ele chegou em casa. Ele me mostrou um vinil duplo e fiquei alucinada”, lembra.
 
Mesmo não sabendo inglês, Janaina conta que se sentia inspirada pelas músicas de Bowie. Hoje, ela põe no CD player do carro algumas músicas para suas filhas pequenas ouvirem. “A maior, de 6 anos, chega a falar ‘de novo, mãe?!’. Mas o fato é que ele encanta várias gerações, estando à frente de seu tempo. O que ele gerou foi muito rico. Lady Gaga e Madonna devem muito a ele”.
 
A homenagem ao cantor também acontecerá no Carnaval mineiro, com o bloco “ZiriGGYdum STARDUST”, criado no ano passado, em que boa parte de seus integrantes pintam um raio vermelho no rosto. Nos próximos dias, já devem acontecer os primeiros ensaios.