Recurso lançado pelo Instagram em 2016, o Stories rapidamente tirou o Snapchat, concorrente direto, da vida dos usuários. Agora, com o lançamento da plataforma exclusiva de vídeos da rede social, a IGTV, muita gente questiona se a ferramenta tem potencial para fazer frente ao YouTube, que soma 13 anos de história e milhões de fãs. 

Apesar de todo o burburinho desde a divulgação da nova plataforma, há uma semana, o especialista e docente em comunicação digital Breno Koscky aponta que ainda é cedo para cravar a concorrência direta entre as plataformas. 

Para ele, a ferramenta é, antes de tudo, tentativa de estimular o consumo de vídeo dentro do Instagram – uma dificuldade da rede. “As pessoas não costumam assistir a muitos vídeos quando estão na plataforma. Tanto que a regra inicial era de conteúdos até 15 segundos e depois passou para 1 minuto”. 

As diferentes funcionalidades de cada uma das redes também corroboram, de acordo com Koscky, para que, pelo menos em princípio, elas não disputem o mesmo público. “Na IGTV são exibidos vídeos feitos pelo celular, já no YouTube você edita, posta e monetiza o conteúdo”, observa. 

Possibilidades

Familiarizada com as duas plataformas, a youtuber e instagrammer Ana Luiza Palhares, do blog e canal Cinderela de Mentira, acredita que a impossibilidade de gerar lucros aos criadores é um dos fatores que impedem que as redes batam de frente. 

“O Instagram barra muito o alcance das postagens. Mas, a partir do momento em que ele passar a oferecer alcance melhor e monetização bacana, pode bater o YouTube”, acredita. 

Rivalidades de lado, a jovem de 23 anos, vê a IGTV como uma aliada dos produtores de conteúdo. “É mais uma plataforma para conversar com o seguidor. Como o público do Insta é bem diferente e costuma acompanhar um pouco mais de longe o conteúdo, talvez a ferramenta sirva para aproximar os criadores dos seguidores”.

Verticalização

A principal novidade da ferramenta é inegavelmente a apresentação de vídeos na vertical. “Acho fantástico, porque a IGTV acompanha a tendência da produção de vídeos nos tempos de hoje. Esse é o formato que as pessoas usam”, diz Breno Koscky, ressaltando a adaptação às telas de smartphones. 

Outra novidade apontada pelo especialista tem relação ao próprio conteúdo que a nova ferramenta deve abrigar. “No Facebook, por exemplo, muito do que consumimos são conteúdos compartilhados. Como não há a possibilidade de compartilhamento no Instagram, ele acaba nos dando a oportunidade de ver aquilo que as pessoas estão produzindo”, sublinha. 

Experiência de uso mostra que nova aposta do Instagram já precisa de atualizações

Foi no dia anterior ao maior encontro de criadores de conteúdo do mundo, o Vidcon, realizado na Califórnia, nos Estados Unidos, na semana passada, que o Instagram anunciou a novidade e disponibilizou a IGTV para todos os usuários – produtores de conteúdo reconhecidos e grandes marcas já haviam tido acesso à plataforma. Com o uso recente, muita coisa ainda parece estar nebulosa para quem experimentou o novo recurso.

Caso da jornalista Vivian Lourenço, de 33 anos, que testou a plataforma pouco tempo depois do lançamento. “No primeiro momento, achei a ferramenta confusa, principalmente ao postar conteúdo e acompanhar os números, comentários e ver quem havia assistido”, conta.

“É ponto forte subir vídeos mais longos e poder usar o desktop e não apenas o celular”
Vivian Lourenço
Jornalista

Como espectadora, a experiência não foi muito diferente. Apesar da intenção de praticidade da ferramenta, que inicia vídeos sem que seja necessária a busca por nenhum conteúdo específico, ela relata que teve problemas. “Senti dificuldade de comentar e dar likes nos vídeos”. 

O menor alcance das postagens, comparado ao conteúdo compartilhado no feed ou no Stories, também é outra desvantagem apontada por ela. “Ainda há pouca informação sobre o IGTV”, justifica.

Mais fácil

Mas há quem tenha se encantado pela novidade. Para estudante de psicologia Larissa Ribeiro, de 23 anos, que testou e aprovou a ferramenta, a IGTV é uma boa alternativa para a criação de um conteúdo mais simples. “Sou apaixonada por livros e queria criar um canal no YouTube, mas acredito que lá os conteúdos devem ser mais profissionais”, argumenta.

Ela vê como outra vantagem da rede a possibilidade de se postar conteúdos mais longos. “Todo mundo quer compartilhar mais e o Stories é limitado”, diz ela, que já produziu três vídeos na nova plataforma.

Apesar de o público ainda ser pequeno, já que a IGTV é recurso recente, a praticidade no uso da ferramenta é, segundo ela, ponto a favor para a utilização.

Porém, como espectadora, faz ressalvas. “Acho que poucas pessoas ainda estão usando e não sabem como inovar e não repetir o que está sendo feito no YouTube”. 

IGTV

Clique para ampliar