Estreia de hoje nos cinemas, “Vida” trilha história semelhante à de um dos maiores filmes de ficção-científica – “Alien, o 8º Passageiro”, lançado em 1979 – exibindo a mesma sensibilidade com que o atual presidente dos Estados Unidos trata da imigração no país.
 
Protagonizado por Jake Gyllenhaal e Ryan Reynolds, o filme emula a produção de Ridley Scott ao botar um marciano inteligente dentro de uma estação orbital, com uma grande caçada acontecendo em espaços claustrofóbicos que só ampliam a atmosfera de terror.
 
“Vida” parece se contentar com essa mescla, de elaborado design de produção para reproduzir o ambiente espacial, com os atores flutuando realmente nas seções da nave, e acento num clima opressivo, como se o alien fosse uma espécie de serial killer incansável. 
 
Mas o que torna um filme excepcional não é apenas a embalagem, e sim como os conflitos se estabelecem e se conectam emocionalmente com o espectador. Um bom exemplo é o recente “A Chegada”, que mostra nossa dificuldade em aceitar o diferente.
 
Caminho oposto faz “Vida”, filme que, diferentemente do que o título sugere, só atiça hostilidade, com o final deixando claro que o que interessa aos produtores é a “pegadinha”, como se os personagens estivessem no “Big Brother”, eliminados pelas características.
 
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Em “Alien”, sobra apenas a tenente Ripley (Sigourney Weaver) para contar história, mas até chegar a esse clímax o filme oferece leituras diversas, como o aparente paradoxo entre futuro e uma nave velha no espaço.
 
O visual de “Alien” é escuro, sujo e os personagens são apresentados como operários, num trabalho nada prazeroso, em oposição ao que os astronautas de “Vida” usufruem. Nesse, tudo é muito higiênico – a cena em que uma criança pergunta como vão ao banheiro é sintomática.
 
Os astronautas surgem como estereótipos, tanto em personalidade quanto em nacionalidade. O japonês é dedicado e ligado à família. Há o cientista inglês curioso demais. Um dos que resistem revela a saudade de um tempo melhor, em que as fronteiras eram definidas.
 
Fica a sensação de um filme bem ao estilo Trump: na dúvida, o melhor é extirpar o que poderá representar perigo.