Muita coisa mudou desde o lançamento do primeiro video game, em 1972. Se durante muito tempo era reservado a eles apenas o papel de entreter, 45 anos depois estes dispositivos eletrônicos ganham cada vez mais um reconhecimento de sua centralidade no cotidiano das pessoas.

Muito além de sua evolução técnica– os avanços que os aparelhos apresentam para seus usuários–os espaços dedicados ao universo dos games também estão se expandindo, para além das telas da TV, do computador, dos smartphones ou até mesmo dos óculos de realidade virtual.

Prova disso é a exposição “A Evolução do Video Game”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte. Na mostra, que pode ser visitada até o dia 6 de janeiro, os quase cinquentões têm sua trajetória contada no espaço – reconhecido por receber diversas exposições de arte.

“Os Video games são uma questão já enraizada na cultura, eles fazem parte do nosso cotidiano”, pontua Marcelo Nonnenmacher, gerente geral do CCBB. Assim, a paixão pelos consoles é uma das justificativas da mostra, que exibe aparelhos de diversas épocas. “A mostra é dividida em duas alas, que trazem desde o primeiro video game até os mais atuais, como o Playstation 4 e o Xbox One”, diz.

Naturalmente, a parte interativa, que coloca o público em contato com consoles, é a atração principal. “Conseguimos pegar pelo menos um de cada período e colocá-lo em funcionamento”, diz Nonnemacher.

Música

Outra expressão da paixão pelos games, que vai além de praticar o jogo, é a reprodução ao vivo de suas trilhas sonoras. Idealizada em 2006, a banda Abreu Project é uma das responsáveis por reforçar este apreço. “A gente busca resgatar músicas de qualidade e também grandes composições que são pouco exploradas”, conta Leandro Abreu, idealizador do projeto.

Com o foco principalmente voltado para as trilhas produzidas para games antigos, de 8 e 16 bits como o Mega Drive e Super Nintendo, o músico destaca a releitura das composições no estilo chiptune (música eletrônica sintetizada produzida por chips ). “Quando você traz essas produções para instrumentos reais, você potencializa a qualidade delas, tem um impacto diferente”, sublinha.

O músico destaca também o apelo das composições. “Mesmo quando as pessoas param de jogar, elas ainda se lembram da trilha. É uma experiência muito interessante tocar essas músicas, porque você mexe com a infância e com o tempo”, afirma.

Para a banda, a influência dos jogos vai além das releituras de suas músicas. Além de produzirem trilhas para games, eles também possuem composições autorais, influenciadas pelos estilos que permeiam o universo dos games. “Algumas bandas tocam só um gênero, como o game metal. A gente transita pelo rock, jazz, pop. É uma coisa bem com a cara de game mesmo”, concluí.