Cantora, compositora, arte-educadora, trançadeira, produtora cultural, graduada em audiovisual e web designer: na auto-definição de Zaika dos Santos é tudo isso, mas ainda falta uma outra palavra nessa série: artista.

De muita potência, diga-se. A melhor comprovação para este adendo é sua performance ao vivo, das mais destacadas na música mineira atual. O público pode conferir isso hoje, já que ela se apresenta na Sala Juvenal Dias, dentro da programação do “Inverno das Artes”.

O evento é uma chancela perfeita para a artista, já que tem suas lentes voltadas para a cultura negra na edição deste ano. “É uma oportunidade bacana. O empoderamento negro está rolando há muitos anos, dialogamos com isso todos os dias, 24 horas”, diz. “Um espaço como o Palácio das Artes entender que somos referência também, e sermos pautados lá, é sinal de uma conexão importante”.

Com uma música que possui referências que fazem uma ponte entre as sonoridades negras da Jamaica, África e Brasil, evidenciando as comunidades de periferia e a defesa das tradições de matrizes africanas, Zaika prioriza no show o repertório de seu segundo álbum, “Akofena”. O trabalho volta seu discurso contra o racismo, machismo, homofobia, transfobia e lesbofobia e fortalece o contexto do feminismo negro, mas sem tirar o foco dos quadris também. “É música política para dançar”, define ela. “Podemos falar destas temáticas que são importantes pela dança também. É um jeito positivo de desconstruir”.

Serviço. Show de Zaika dos Santos, hoje às 20h30, no Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 – Centro). Entrada: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)