Uma geração inteira de torcedores do Atlético se levanta, nesta quarta-feira, para aplaudir os 60 anos de José Reinaldo de Lima, nascido em 11 de janeiro de 1957, em Ponte Nova. O mito da camisa 9, que deixou marcas imortais no Galo, também carrega cicatrizes da violência dos zagueiros e dos procedimentos médicos que sofreu para tratar das precoces lesões.

As contusões, cirurgias, a ausência dos quatro meniscos desde os 19 anos foram fatores determinantes que obrigaram "vossa majestade" a ser figura ausente em 46% dos jogos do Atlético, entre o período em que o "baby-craque" se firmou no time profissional, no Brasileirão de 1973 (com 16 anos) à despedida do ídolo, em 1985, numa excursão à Europa. 

Nestas 13 temporadas pintado de preto e branco, Reinaldo realizou 458 jogos, mas perdeu outros 380 compromissos. As lesões não são as causas exclusivas de a torcida do Galo ter curtido de forma limitada o potencial daquele craque. Seleção Brasileira e expulsões marcados por polêmicas também fizeram Reinaldo só ter 54% de assiduidade nos 838 jogos que o Atlético realizou (entre competições oficiais, torneios para "preencher tabela", amistosos e excursões).

Atlético, por pouco, não teve seu maior craque uma vez a cada dois jogos feitos

LUTAR, LUTAR, LUTAR

Em 1976, antes de passar por uma nova cirurgia no joelho que o deixaria três meses afastado, Reinaldo fez a maior sequência de jogos pelo Atlético: 23 partidas seguidas, no começo daquele ano. Em compensação, a sequência sem jogar é assustadora: 79 partidas, que o impediram, por exemplo, de participar da fase de grupos da Libertadores. 

Reinaldo ficou ausente entre entre março de 1978 (logo após perder o Brasileirão de 77) e abril de 1979, juntando a preparação para a Copa do Mundo na Argentina e um novo problema no joelho, que o obrigaria a viajar para Nova York e ser tratado por um especialista de renome mundial.

"Tão logo o Doutor James Nicholas examinou o joelho esquerdo de Reinaldo, já o encaminhou para a sala de cirurgia. A situação era grave. Verificou que o grande problema do joelho esquerdo do Rei era uma rótula muito grande que causava atrito dos dois lados, a verdadeira origem das dores e derrames no joelho. Para corrigir, precisaram cerrar a rótula" (LIMA, Philipe Van R.)¹

O retorno de Reinaldo após esta intervenção médica nos EUA causou comoção na torcida do Atlético. Um amistoso contra o Santos foi marcado para a volta do mágico número 9 aos gramados. Rei foi recepcionado num Mineirão apagado, com torcedores acendendo velas. Apesar de ter marcado um gol na derrota por 2 a 1, Reinaldo havia sentido uma lesão muscular de véspera. 

Lesão esta que também atingiu a coxa direita de Reinaldo na final do Campeonato Brasileiro de 1980, diante do Flamengo e mais de 150 mil pessoas no Maracanã. Os gritos de "bichado" foram interrompidos por um gol (de perna direita) que empatou o jogo em 2 a 2. Mas logo viria outro pesadelo do jogador. Por retardar uma falta a favor do Flamengo, após um impedimento mal marcado dele mesmo em tabela que deixaria Palhinha na cara do gol, o atacante foi expulso de campo e viu a equipe levar o gol de Nunes.

Marcas da carreira: na final do Brasileirão/80, diante do Flamengo, Reinaldo protagonizou, de uma ve

SINA - Na final do Brasileirão/80, diante do Flamengo, Reinaldo protagonizou, em menos de 90 minutos, as três cenas que marcaria sua carreira: lesões, gols e expulsões.

Naquele ano, apesar da decepção, Reinaldo ficaria longe das lesões e acumularia 76% de frequência nos 58 jogos que o Galo disputou. Em 1981, o tornozelo torcido, alguns compromissos pela Seleção e queda de frequência para 50%. Mas, se os últimos anos de Atlético trariam menos gols, o deixariam mais tempo em campo para ajudar com passes, pênaltis sofridos e o inédito hexacampeonato estadual (marca recorde, atingida em 1983). 

Na despedida, em 1985, ainda com 29 anos, Reinaldo foi embora após uma eliminação diante do Coritiba, novamente em casa, na semifinal do Campeonato Brasileiro. Saiu de cena após um amistoso contra o Ajax, em agosto daquele ano, treinado por Cruyff (em início de carreira como técnico). Assinou com o Palmeiras, mas não conseguia mais render em alto nível. Passou pelo rival Cruzeiro, pelo Rio Negro-AM e pelo Telstar-HOL.

O maior artilheiro da história do Atlético, com 255 gols, e do Mineirão (157), poderia ter sido muito mais do que foi. Zico, seu grande rival na busca pela consagração nacional e continental, uma vez constatou: "seria quem mais se aproximaria de Pelé, se não fosse tantos problemas no joelho". 

Revista Placar traz um resumo das lesões que abateram tantas vezes o "Rei"

Revista Placar traz um resumo das lesões que abateram tantas vezes o "Rei"

¹LIMA, Philipe Van R. Punho Cerrado: a história do rei, 2016

Outras referências: Galo Digital, Galopédia, Almanaque do Cruzeiro (Henrique Ribeiro) e Youtube.