Pela primeira vez uma reunião extraordinária do Comitê Olímpico Internacional (COI) para anúncio da escolha de uma sede de Olimpíada não terminará com um misto de festa e decepção. Tudo indica que o dia 13 de setembro, em Lima (Peru), marcará um momento histórico para o principal evento do esporte mundial.
Afinal, a reta final da corrida para receber os Jogos de 2024 trouxe a oportunidade de um acordo entre duas cidades com forte tradição olímpica.

Ambas elogiadas por seus projetos, Paris e Los Angeles serão oficializadas para suceder Tóquio. Resta apenas saber em que ordem, embora tudo indique que os franceses (que receberam os Jogos em 1900 e 1924) venham à frente, seguidos pelos norte-americanos – a cidade californiana foi sede em 1932 e 1984. A prefeita pariense Annie Hidalgo e seu colega de Los Angeles Eric Garcetti simbolizaram o acordo ao dar as mãos ao presidente do COI, Thomas Bach, na assembleia-geral do Comitê em Lausanne (Suíça), depois da apresentação oficial das candidaturas ao painel de seleção. Os franceses chegaram a levar, como principal garoto-propaganda, o presidente Emmanuel Macron, sinal do engajamento do país – nunca é demais lembrar que Roma iniciou a disputa, mas desistiu diante do recuo da prefeita Virginia Raggi, que considerou desnecessários e fora de contexto os gastos previstos para preparar a capital italiana.

Alívio
“Manter a estabilidade e poder fazer um planejamento de longo prazo com 11 anos é uma façanha para o movimento olímpico, especialmente envolvendo duas cidades com tamanha tradição e história na organização dos Jogos”, festejou Bach, dizendo-se positivamente surpreso pelo entendimento.
Não é para menos, diante dos indícios de irregularidades e acordos de bastidores para a definição das últimas sedes, incluindo o Rio de Janeiro e do temor de que ingerências políticas e econômicas pudessem manchar o processo.

No mesmo encontro o COI revelou seu balanço financeiro, com números em alta mesmo diante de uma Olimpíada especialmente trabalhosa como à do Rio. A entidade obteve lucro de US$ 711 milhões ano passado, fechando o quadriênio iniciado em 2013 com o maior lucro de sua história (US$ 5,7 bilhões).