Camisa amarela, por enquanto, só mesmo o uniforme alternativo do Guangzhou Evergrande. Mesmo fora dos planos do técnico Tite para a Seleção Brasileira, o meia-atacante Ricardo Goulart afirma estar satisfeito no “escondido” futebol chinês e garante ainda não ter o desejo de fazer as malas.

Também, pudera. O troféu dourado na foto abaixo é apenas mais um na recheada prateleira do ex-jogador do Cruzeiro, negociado em janeiro de 2015 após participação decisiva no bicampeonato nacional da equipe celeste.

Ídolo no clube mais rico e popular do Oriente, o camisa 11 já conquistou seis títulos oficiais nesses dois anos e meio. Destaque para a Liga dos Campeões da Ásia, com direito a artilharia e prêmio de craque da competição continental.

Individualmente, se destacou ainda com duas Bolas de Ouro na conquista do bicampeonato chinês. E busca uma nova “dobradinha”, com a liderança do Evergrande na tabela e 13 gols nos 20 jogos disputados nesta temporada (assista no vídeo abaixo).

Isso tudo enfrentando uma concorrência inflacionada com estrelas do quilate de Carlos Tévez, Ezequiel Lavezzi, Alexandre Pato e Diego Tardelli, entre outros.

Neste Papo em Dia, Goulart lembra com carinho da passagem pela Raposa, mas revela ainda sonhar com a Europa e esfria quaisquer especulações sobre uma volta ao futebol brasileiro.

Ricardo Goulart Guangzhou Evergrande

No Evergrande, camisa 11 já faturou a Liga
dos Campeões da Ásia, dois Campeonatos,
duas Supercopas e uma Copa da China

 

Como explica tamanho sucesso individual no futebol chinês, mesmo diante de uma concorrência tão alta devido às transferências milionárias a cada janela?

Atribuo isso ao trabalho forte. Tenho me dedicado muito desde que cheguei aqui à equipe. Graças a Deus, essa dedicação vem rendendo bons frutos, e eu pude conquistar esses prêmios individuais. Como você mesmo disse, a cada ano vem ficando mais difícil e equilibrado, com a chegada de outros grandes jogadores. Mas, graças a Deus e a muito trabalho, tenho conseguido me manter entre os destaques.

Como é a relação com os torcedores e a mídia? Você recebe tratamento de ídolo, como teve no Cruzeiro, ou o público chinês ainda não é tão presente e fanático quanto o brasileiro?

O público chinês é muito carinhoso comigo e com os jogadores em geral. Eles são diferentes dos brasileiros, é claro, até torcem de forma diferente. Mas o carinho que recebo nas ruas e locais onde vou é o mesmo. São torcedores muito educados, respeitosos, mas que também gostam muito de futebol e do Guangzhou.

Há vários jogadores brasileiros morando atualmente na cidade. Inclusive o Júnior Urso, com quem você atuou no Santo André e é hoje seu rival (joga no R&F). Vocês formaram uma 'família' aí?

É claro que, quando você está em um país com cultura e língua muito diferentes das suas, é normal você querer se aproximar de pessoas da sua mesma nacionalidade. Mas eu sou um cara muito tranquilo, fico mais em casa com a minha esposa e tenho, sim, essa relação de amizade muito boa com o Júnior Urso. Iniciamos juntos no Santo André, em 2008, e mantivemos isso aqui na China.

Já tem planos para 2020, quando termina seu contrato? Deseja jogar na Europa, pretende ficar na China, ou já seria a hora de voltar ao Brasil?

No momento, estou realmente muito focado em continuar fazendo um bom trabalho aqui na minha equipe, conquistando os títulos e, se possível, também essas premiações individuais. Todo jogador tem o desejo de atuar na Europa, e eu não sou diferente. Mas ainda tenho contrato aqui na China e vou continuar dando o meu melhor até o fim dele. Ainda não penso em um retorno para o Brasil.

Quando você foi para a China, muito se questionou sobre o risco de ser 'esquecido'. Mas o Renato Augusto e o Paulinho têm sido convocados. Você ainda alimenta a esperança de estar na Seleção e jogar uma Copa do Mundo?

Ricardo Goulart Seleção

Jogador foi convocado duas vezes pelo então
técnico Dunga e entrou em campo com a
amarelinha em vitória por 1 a 0 sobre o Equador

Como disse na última resposta, sobre a Europa, todo jogador também tem o desejo de servir à Seleção Brasileira. Já estive lá e sei o quanto é bom servir ao seu país. As convocações desses jogadores mostram que o Tite está observando o Campeonato Chinês, então continuarei fazendo o meu trabalho, independentemente de ser chamado ou não. Meu pensamento é o de ajudar o time que eu defendo.

Durante esse período na China, você chegou a ser sondado pela CBF para alguma pré-convocação? Já teve alguma oportunidade de conversar com o Tite?

Não tive nenhum contato com a CBF e também nenhum contato com o Tite. Conheço ele como treinador só olhando de fora, porque nunca trabalhei com ele. Mas acredito que seja uma boa pessoa, por todo o bom momento que viveu e vem vivendo. 

Você teve uma passagem muito marcante pelo Cruzeiro. A que fatores atribui o sucesso do time bicampeão de 2013/14?

Era uma equipe jovem, mas tinha muita qualidade. O elenco era muito bom, e todos os jogadores estavam muito focados no objetivo de fazer história pelo Cruzeiro. Dentro do nosso grupo, havia muita gana em trabalhar duro e conquistar títulos. Foi um período muito especial da minha vida, e vou levá-lo comigo por muito tempo, com certeza.

Você é lembrado até hoje com muito carinho pela torcida cruzeirense. Tem acompanhado o time? Se imagina voltando ao clube no futuro?

O torcedor cruzeirense sempre teve muito carinho e respeito por mim, e isso é totalmente recíproco. Acompanho sempre que posso. Infelizmente, a diferença no fuso horário atrapalha um pouco, e também estamos sempre treinando por aqui. Mas é um clube que me abriu portas, onde fui muito feliz e pelo qual tenho todo o carinho.

Existe algum outro clube brasileiro que você deseja defender antes de encerrar a carreira?

Eu tive trajetórias muito bonitas no Cruzeiro, no Goiás e no Internacional. Ainda não penso nesse retorno, pois estou feliz, tenho planos de crescer cada vez mais e estou bem longe de pensar em aposentadoria (risos).

 

 

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