Se o dia 3 de março é considerado o "Natal Rubro-Negro" para o Flamengo, por conta do nascimento de Zico, o 11 de janeiro tem peso semelhante na história do Atlético. Foi num dia como esta quinta-feira, há 61 anos, que Reinaldo chegava ao mundo. E há 30 anos ele se despedia do futebol, depois da última aventura em solo holandês.

Já com várias cirurgias no joelho, sem nenhum menisco, o corpo deteriorado, Reinaldo foi para os países baixos visitar Johan Cruyff, um velho admirador de seu futebol. O gênio da Laranja Mecânica estava iniciando a carreira de treinador em 1987, pelo Ajax.

Reinaldo chegou à Amsterdã para aprender os conceitos futebolístico do eterno camisa 14. Naquela oportunidade, o time do Telstar estava na capital holandesa, e surgiu o convite para o Rei calçar chuteiras profissionalmente. Ele vinha de aventuras frustradas por Palmeiras e Rio Negro-AM, além de passagem relâmpago pelo rival Cruzeiro.

Curiosamente, foi na Holanda que Reinaldo vestiu a camisa do Atlético pela última vez, em 1985, justamente no segundo jogo de Cruyff como treinador do Ajax. Um amistoso pelo torneio de Amsterdã. Um contato que ficou para a posterioridade, e que ocasionaria em Reinaldo defendendo a camisa do time batizado em homenagem ao primeiro satélite de tele-comunicação do mundo (que também batizou as bolas da Copa de 1970 e 1974).

Reinaldo pelo Telstar: recepção com faixa e festa, mas desempenho de fim de carreira

Reinaldo pelo Telstar: recepção com faixa e festa, mas desempenho de fim de carreira

O Ajax tem um time sub-23 chamado Telstar e que disputava a Segunda Divisão. Era verão, me chamaram para jogar, me deram carro e casa. Fiz uns jogos, gols, mas depois que começou o frio de novo, aí eu parei mesmo. E também tinha me casado com uma holandesa e aí morei dois anos por lá - lembrou o Rei, à Vavel, em 2017

Com a camisa do Telstar, Reinaldo fez  apenas uma temporada, a última da carreira. Chegou por lá após alguns jogos na Suécia, onde fedendeu o BK Hacken (mesmo time que Diego Lugano jogou antes do Cerro Porteño, e antes da volta ao São Paulo).

Apesar de ser recebido com festa e ser lembrado até hoje por lá, o desempenho do camisa 9 já não era mais o mesmo

"Eu estava no Rio de Janeiro, eu tinha uma namorada lá, e depois fui de navio até a Gênova, onde me encontrei com Toninho Cerezo, que jogava na Sampdoria-ITA. Depois fui até a Suécia onde fiquei acompanhando os treinamentos do FK Gotemborg-SUE, mas tudo era muito simples, bem amador. Só que estava fazendo frio demais e não aguentei ficar lá.  Depois me dirigi ao BK Hacken, joguei alguns amistosos, e fui embora para Amsterdã", disse Reinaldo, à Vavel..com.br

No meio de 1988, Reinaldo voltava ao Brasil, se despedia oficialmente dos gramados num jogo festivo no Mineirão. Mas apenas 4 mil torcedores foram prestigiar o adeus de quem lá arrastou, um dia, multidões para o Gigante da Pampulha. 

Em 2014, o programa holandês Bureau Sport foi à caça de Reinaldo no Brasil: